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Cão Branco

Luiz Carlos Merten

24 de março de 2013 | 22h55

Havia visto ontem a emissão de André Labarthe e Janine Bazin dedicada a Samuel Fuller na série Cineastas de Notre Temps. Nosso amigo SAm, se vivo fosse, seria facilmente enquadrado por incorreção política. Já imagino o camburão chegando para levá-lo. Sam fala de violência. Diz que não tem interesse nwenhum em ver um casal conversando, como ocorre em tantos filmes contemporâneos (o programa é de 1968). Acrescenta que alguns diretores adorariam filmar escoteiros fazendo fogo com dois pauzinhos, mas ele só se interessareia pelo assuntro se os garotos usassem a chama para incendiar uma cidade inteira. Doiis momentos da emissão me deixaram siderado – Labarthe e Janine prosseguem com, som (o massacre promovido pelos índios em Renegando o Meu Sangue) sobre a cara sérias do autor. Pavlov – você pode ler o que quiser nma imagem. Sam fala de diversos assuntos, mas na hora de falar do som osa filmes falam por ele. Tudo isso foi preparativo para Cão Branco, que revi hoje. Havia tedntadso ver A Dama da Noite,m às 4 da tarde,. ,mas cheguei em cioma da hora e de nada adsiantou ficar na fila de espera. Comprei antecipadasmente o ingresso para o Cão, às 6. Se não o tivesse feito, teria dasnçadoi, porqwue a sessão também lotou. Na entrevista que me deu, Samantha Fuller, única filha do grande diretror, me disase que tem um carinhoespecioal por White Dog, mas é suspeita. Faz uma das netas do velho racista que transformou o cão em instrumento do seu racismo (e máquina de matar negros). Como em Shock Corridor, Paixões Que Alucinam, Fuller recorre a uma ideia de choque para denunciar o racismo. No outro filme, o negro internado no instituto psiquiático delira que pertemnce à Klu Klux Kan e repete o discurso racista das oerganização. Aqui, Kristy McNicol atropela um cão e o leva para casa, sem saber que ele foi treinado para ser um cão branco. Ao saber, ela busca ajuda, para não sacrificar o animal. Encontra Paul Winfield, um negro que, como ela, acredita que será possível vencer a mentalidade racista que engenderou o cão, deseducando-o, ou melhor, descondicionando-o para atacar afrodescendentes. Fuller usa não apenasd a trilha de Ennio Morricone como a trilha sonora, numa parasfernmália de ruídos que contriobuem para a tensão e, por momentos, para o sentimento de derrota e compaixão que se tem assistindo à odisseia de Paul Winfields. Só para lembrar, foi o ator de Martin Ritt no belo Lágrimas de Esperança, Sounder, de Martin Ritt, em que a situaçlão dos negros no Deep South era vista pelos olhos do cachorro. Só não é a obra-prima de Ritt porque, afinal, ele fez Ver-Te-Ei no Infertno, The Molly Maguires, que é insuperável ( e o VIdas Secas de Hollywood). No seu belo texto sobre Fuller na coletânea Warning Shadows, Gary Giddins define o cineasta como ‘poeta do pulp’. E lembra qwue Fuller, no seu começo, citou duas vezes Aristóteles – em Eu Mateu Jesse James (‘Nionguém ama o homem a quem, teme’) e O Barão do Arizona (‘Dignidade consiste não em possuir honrasrias, mas em merecê-las’). Giddins não acredita que, entre todos os cineastas, Fuller seja o mais adfequiado para citar Aristóteles, ou mesmo que seja o mais aristotélico. Eu discordo. Até pelo que tenho visto na retrospectiva do CCBB, e tenho visto bastante, o cinema de Fuller, embora emocional de demencial, é também lógico, e não há nada mais lógico que Aristóteles. Uma frase do filósofo também parece criada para definir o estilo do cineasta, justamente aquela que associa o estilo à clareza. Espero ter tempo de rever mais uma meia-dúzia de filmes de Fuller. A propósito, não tenho visto no CCBB colegas que se autodefinem como fullerianos de carteirinha. Estou achando que são mais é fuleros. Mas não vai ser fácil encontrar tempo – de terça a quinta, estarei no Rio, por conta de Tom Cruise, quer vem mostrar Oblivion. Vai me sobrar de sexta a domingo para matar a saudade de meus velhos clássicos de Sam.

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