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Cannes (5)/Um duplo de arromba, Todd Haynes e Takashi Miike

Luiz Carlos Merten

18 Maio 2017 | 10h08

CANNES – Ainda a polêmica com a Netflix. Depois da divergência entre Pedro Almodóvar e Will Smith na coletiva do júri, o temas não para de repercutir. Num evento nos EUA, o dirigente da Fox, referiu-se em termos nada elegantes ao democratismo da provedora via streaming – “Netflix, my ass”. Preparem-se para ver daqui a pouco a camiseta. O grande Christopher Nolan, antecipando o próximo lançamento de Dunquerque, disse que o cinema é a única plataforma que lhe interessa. E Sofia Coppola, embarcando para Cannes, disse que fez The Beguiled para passar nos cinemas. Bravo, Sofia. Emendei dois filmes agora pela manhã – o Todd Haynes, Wonderstruck, um ‘feel good movie’, bonito e emocionante, e o Takashi Miike, The Blade of the Immortal, A Espada do Imortal, que deve ter feito Sam Peckinpah revirar no túmulo. Nunca houve um filme com tantos mortos. O herói passa uma centena na espada e está pronto para o próximo round. Wonderstruck baseia-se num livro de Brian Selznick, autor de A Invenção de Hugo Cabret. Narra as histórias de duas crianças, em 1927 e 77. A pergunta que não quer calar – como elas vão se articular? Só vendo. Articulam-se, e lindamente. A primeira se passa no período silencioso e imita um filme mudo, até poeque as crianças são surdas. O filme quase não tem diálogos. Julianne Moore, atriz fetrichje de Hasynes (Longe do Paraíso, Carol), está nas duas fases. O diretor veio dizer (reiterar? o que sabemos. Todos os seus filmes são de época, e esse duplamente. Tem a parte que imita o filme mudo e a outra que se passa em Nova York, nos anos 1970, a época que Haynes como a mais decadente da cidade. Adorei, e saí do filme astro-astral para a sanguinolência do Taskashi Miike. Uma garota contrata um samurai para vingar a morte do pai – Bravura Indômita no Oriente? O homem que poeta o sabre, vítima de uma maldição, é imortal. Podem arrancar seus pedaços que ele regenera. Imagino que não seja para todos os gostos, mas para o meu… Confesso que preciso esbaldar meu Id no escurinho do cinema. Senão, não responderia por mim.