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Cannes (5)/Alerta máximo

Luiz Carlos Merten

12 de maio de 2016 | 11h30

CANNES – Não deu outra. A coletiva de Money Monster virou um circo. Jodie Foster, Julia Roberts, George Clooney. O filme é sobre um pobre diabo que invade estúdio de TV e faz de refém a equipe do guru econômico cujos conselhos seguiu e ficou na miséria. Quarenta anosa depois de Taxi Driver, de Martin Scorsese, que ganhou a Palma de Ouro de 1976, e cinco depois de Complexo de Castor, que ela própria dirigiu, com Mel Gibson, Jodie volta a Cannes com um filme de gênero, e de estúdio, com a proposta, segundo ela mesma, de ser inteligente e estimular as pessoas a refletirem sobre a questão do dinheiro no mundo. Não costumo ter muita paciência com Clooney, que me passa sempre a impressão de estar representando o próprio papel, mas ele disse coisas interessantes – contra Donald Trump e sobre seu personagem. Comparou-o a suas criações para os irmãos Coen. “Nos filmes deles (os irmãos), faço sempre personagens que pensam que são inteligentes, mas são patologicamente burros. Aqui, pelo menos, tenho um comprometimento maior com que ocorre no mundo. Não quero ser indiferente à miséria e ao sofrimento humanos. É o que tento.” Para constatar a tal burrice, basta ver o astro de Ave, César, que ainda deve estar em cartaz no Brasil. Money Monster fala de terrorismo, uma forma de terrorismo, pelo menos. Cannes está em alerta máximo. patrulhas do Exército nas ruas, mais policiais que jamais vi aqui, O próprio ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, alertou para o risco de atentado. Disse que é ‘le plus élevé qu’il ne l’a jamais été”. Julia (Roberts) disse que não se sente mais insegura do que em casa. “É minha primeira vez em Cannes e estou recebendo um carinho muito grande.” E, ah, sim. Mesmo fora de concurso, Jodie disse que, para ela, é uma honra imensa integrar uma seleção oficial que tem um de seus diretores preferidos – Pedro Almodóvar.