As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cannes (41)/E o prêmio da crítica vai para… o alemão!

Luiz Carlos Merten

21 de maio de 2016 | 21h19

CANNES – Vi hoje o curta da Cinéfondation que o júri de Naomi Kawase premiou como melhor – Anna, de Israel, é sobre uma mulher madura que fica sozinha na cidade calorenta, no fim de semana, e busca um homem porque precisa de um contato íntimo. É um filme muito bonito, e bem feito. Embora a Palma de Ouro só seja outorgada esta noite – já estou no domingo, cinco horas adiante de vocês -, os prêmios paralelos começaram a ser divulgados no sábado, 21. O júri ecumênico, da OCIC, premiou Xavier Dolan, Juste la Fin du Monde, e outorgou uma menção a Ken Loach, por I, Daniel Blake. Tenho evitado o assunto para não parecer melodramático, mas meu amigo José Carlos Avellar me faz uma falta imensa. Era meu interlocutor preferido. Nem sempre estávamos de acordo, mas Avellar era, com certeza, confiável. Tenho visto os filmes e me perguntado – o qure o Avellar acharia desse, ou daquele? Creio que teria gostado do Ken Loach, e dos romenos. A Abracine, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema, tem feito uma força imensa para ser reconhecida pela Fipresci, a Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. A Fipresci deu hoje seu prêmio – o da crítica – para Toni Erdmann. Vocês sabem que não gosto muito do filme da alemã Maren Ade, mesmo recohnecendo que tem algumas qualidades (atores, diálogos). Lá vou enfiar os pés pelas mãos – mas que raio de federação é esta? A nova presidente é da Turquia, portanto não deve ser mera coincidência que houvesse(m) dois turcos no júri. Claro, são os melhores críticos do mundo he-he. Estou ironizando, claro. Essa história de puxar a brasa para a sua sardinha é velha como o mundo. Também saíram hoje os prêmios da seção Um Certain Regard. O júri presidido por Marthe Keller, a Fedora de Billy Wilder, e integrado, entre outros, por Diego Luna, premiou o filme finlandês O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Máki, de Juho Kuosmanen. Estaria mentindo se dissesse que é ruim, mas talvez seja irrelevante. Não vi toda a seleção de Um Certo Olhar deste ano, mas me parece impossível que Mme. Keller não tivesse nada melhor para premiar. Como todo ano0, sigo amanhã para Paris, onde começa, na quarta, a retrospectiva de Un Certain Regard no Reflets Médicis. Espero recuperar alguma coisa que perdi.