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Cannes (39)/E Pedro Almodóvar, M. le présidant, chorou

Luiz Carlos Merten

28 Maio 2017 | 19h48

CANNES -Fiz uns textos para o online e as matérias do impresso. De volta ao hotel, retorno ao blog. Tenho de arrumar mala, essas coisas, porque amanhã viajo para Paris – pela manhã. Mas não resisto a algumas observações. Cannes encerra todo ano o festival com uma queima de fogos, já anunciando o próximo. Parei para ver. Foi a coisa mais linda. Cascatas de cores, corações, muitos corações, tipo Eu (amo) Cannes. Preciso acrescentar que a coletiva do júri virou uma discussão sobre a mulher no cinema. Sofia e Nicole Kidman (prêmio do 70.º Aniversário) ganharam pelo talento, não por uma questão de gênero, ressaltaram as feministas do júri – Agnès Jaoui, Jessica Chastain, Maren Ade. Teve gente que não se conformou com a vitória de The Square, eu também não, mas eles queriam o 120 Batimentos por Minuto. Pedro Almodóvar foi cobrado pelo Grand Prix atribuído a Robin Campillo. Disse que gostou muito do começo e do fim do filme, mas depois as discussões do júri, que foi muito democrático, avançaram por, ou para, outros caminhos. Pedrito falou do partido pela emoção de 120 Batimentos. Emocionou-se tanto que chorou. Sem brincadeira, Will Smith o olhou com o estranhamento de Denzel Washington, quando flagra o gay (Tom Hanks, morrendo de aids) no momento Maria Callas de Filadélfia, de Jonathan Demme. Pode ser que esteja enganado, mas fiquei com a impressão de que Almodóvar, ao chorar, entregou o ouro. Foi voto vencido, preferia ter premiado 120 Batimentos. Nessa altura, até eu. Como registro, tenho de informar que, nesses 25 anos de Cannes – déjà! -, nunca vi um jurado, muito menos o presidente do júri, chorar por causa de um filme.