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Cannes (32)/Dolan! Esse moleque é… tudo de bom!

Luiz Carlos Merten

18 de maio de 2016 | 20h29

CANNES – Acabo de ver o Xavier Dolan, que era um dos meus filmes mais aguardados desse festival. Ocorrem sempre duas sessões de imprensa, à noite, do filme que será apresentado oficialmente no dia seguinte. Tenho deixado de ir à primeira, às 19 h, na Sala Debussy, e recuperado os filmes às 21h30 ou 22 h, na Sala Bazin, que é menor. Ukjm silêncio de morte seguiu-se à apresentação de Juste la Fin du Monde. Nenhum aplauso, nenhuma vaia, o que é raero aqui em Cannes. O filme baseia-se numa peça de Jean-Luc Lagarce. Um homem, um artista, volta para casa para anunciar à família que está morrendo. Mãe, irmão (e cunhada), irmã. As palavras geram tensão, agressão. São berradas, cuspidas. não aproximam nem promovem o entendimento. E há um relógio cuco a marcar o tempo inexorável. Não faço a menor ideia se as pessoas gostaram, muito menos os coleguinhas do Brasil, porque não encontrei ninguém. Quero dizer que amei. Esse Dolan é f… É um guri, é bonito, talentoso, pop – um autor que se Tornou tão cult que virou garoto propaganda da Louis Vuitton. Nem por isso vendeu a alma ao Diabo. É visceral. Mommy e, agora, Juste la Fin du Monde dissecam a família. Dolan entrou para o meu top five com Paterson, o Jarmusch, Julieta, o Alomodóvar, o Kleber,m clasro, Aquiarius, e o romeno Sieranevada. de Cristi Puiu. Amanhã teremos outro romeno – Baccalauréat, de Cristian Mungiu, que quem viu anuncia ser melhor ainda. Não estou colocando na minha lista o presumível vencedor do festival, o alemão Toni Erdmann, de Maren Ade. O sucesso de Toni Erdmann nos quadros de cotações de Cannes, 2016, é, pelo menos para mim, a prova de que a crítica é uma instituição falida. Toni Erdman é sobre um pai que constrange a filha carreirista, mas ela precisa desse choque para se humanizar. Sou muito sensível ao tema de pais e filhos – e filhas, então, nem se fala -, mas esse pai e essa filha queria que fossem para os quintos dos infernos. Não tive a menor empatia nem me convenceram de coisa nenhuma. Já a família de Dolan, os irmãos… Gaspard Ulliel faz o filho pródigo. Entrevistei-o, acho que em 2014, quando foi ao Brasil para a São Paulo Fashion Week, com o Saint Laurent de Bertrand Bonello. No mesmo ano, houve outro Saint Laurent, o de Jalil Lespert, com Pierre Niney. Os dois atores, Niney e Ulliel foram indicados para o César, o Oscar francês, e o primeiro ganhou. Fiquei indignado. M… de César. Por mais que tenha gostado do Dolan, abro mão da Palma para ele se Gaspard Ulliel for melhor ator. E, a propósito, soube hoje de uma coisa que me entristeceu. Tenho falado muito de Paterson e do buldogue de Jim Jarmusch. Descobri que Marvin morreu logo após a rodagem. Continuo torcendo para que a Palme Dog lhe seja atribuída postumamente.