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Cannes (2)/E o Desplechin decepciona… A falta que fazem 20 minutos

Luiz Carlos Merten

17 Maio 2017 | 11h16

CANNES – Começou! E mal! Gosto muito de Arnaud Desplechin, a quem sigo, aqui nesse festival, desde La Sentinelle, já lá se vão 20 e tantos anos. Vieram depois Comment Je Me Suis Disputé (Ma Vie Sexuelle), Esther Kahn, Rois et Reine, Conte de Noel, Trois Souvenirs de Ma Jeunesse. Gosto até de Jimmy P., ou La Psycothérapie d’Un Indien des Plaines. Mas Os Fantasmas de Ismael não deu. Estou sabendo que o filme passa em Cannes na versão do produtor, podado em 20 minutos em relação à versão do diretor. O director’s cut estreia nesta quarta, 17, no Cinéma du Panthéon, pertinho do hotel em que costumo ficar em Paris – e vou ficar alguns dias, na volta, antes de regressar ao Brasil. A menos que Desplechin tenha perdido a mão, e não creio nisso, os 20 minutos devem fazer toda a diferença, unindo as várias histórias e tramas, que me pareceram muito frouxas, em especial toda a fantasias de espionagem que envolve Dédalus, um nome frequente chez Arnaud. É o personagem de Louis Garrel, irmão do cineasta Mathieu Amalric. Ivan Dedalus desaparece e quem reaparece? Carlota, a ex-mulher de Mathieu, desaparecida há mais de 20 anos e dada como morta. Ei-la de volta, Marion Cotillard, e com um nu frontal como não se via desde aquele de Emmanuelle Béart, benza Deus!, em A Bela Intrigante, de Jacques Rivette. Marion volta para tumultuar a vida da atual de Amalric, Charlotte Gainsbourg. É um filme muito esquisito. Ivan/Garrel não tem noção da confusão em que está metido nem Amalric. Nem nós, o público. É como se Desplechin quisesse criar uma ‘vertigem’ – hitchcockiana? Me pareceu fradulento. A razão de ser deste filme em Cannes será testada daqui a pouco. O elenco garante o tapete vermelho. Cannes não passa sem glamour…