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Cannes (24)/E não é que gostei da Lynne Ramsay?

Luiz Carlos Merten

27 Maio 2017 | 09h23

CANNES – Passei no hotel, fazendo hora para o prêmio da crítica, e aproveito para uma postagem. Haviam me falado mal do filme da Lynne Ramsay, último da competição. Pois eu gostei de You Were Never Really Here. Achei o melhor filme de gênero da competição, bem superior aos dos irmãos Safdie, Good Time. No começo, estava achando a construção do personagem de Joaquin Phoenix – Joe, o assassino brutal – um tanto previsível, mas aí as coisas começaram a ficar interessantes. Joe tem essa mãe senil que assiste a Psicose na TV. Tem horas em que ele gostaria de ser Norman Bates para esfaquear mamãe. A trama envolve o resgate da filha de um político, que foi sequestrada. Nada nem ninguém é o que parece. O pai senador, a garota, Joe. Ecos de Taxi Driver – Robert De Niro resgatando Jodie Foster, prostituta mirim -, mas principalmente de Luc Besson. O Profissional, Leon/Jean Reno, e a garota, Natalie Portman. Alguma coisa de Chamas da Vingança, de Tony Scott, em que Denzel Washington, contratado para resgatar garota que desapareceu, descobre o lado podre do respeitável pai dela. Lynne usa o déja vu, mas não como clichê. E ela possui um frescor que o astucioso cinema de gênero perdeu. Joe sofreu trama de infância. Pai violento. Canta com a mãe velhas canções. Quando sicários invadem a casa, ele mata um e fere gravemente o outro. O cara, moribundo, começa a balbuciar a mesma canção. O que ocorre, então, eu nunca vi no cinema de ação, em nenhuma relação do herói com seu inimigo. Não creio que Lynne vá ganhar, mas Joaquin… Lá vou eu para o prêmio da crítica.