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Cannes (23)/Kristen nota 10

Luiz Carlos Merten

16 de maio de 2016 | 20h16

CANNES – Ainda bem que não me fiei nos coleguinhas. Tinham me falado muito mal do Olivier Assayas – espiritismo, thriller sobrenatural, filme desconjuntado etc. Com Assayas não se brinca. Resolvi conferir. O filme começou me produzindo estranhamento. American Shopper é sobre garota americana que trabalha em Pareis para uma estrela da mídia. Como a diva, Kira, não tem tem tempo para mais nada, além de brilhar, Kristen Stewart se encarrega das coisas de sua vida prática, isso é, as lojas de grife, escolhendo vestidos e joias. Kristen é médium. Seu irmão gêmeo, que também era médium e morreu, ficou de lhe enviar um sinal do além. Ela espera. Kristen é perseguida pelo que parece um stalker. Ficam trocando mensagens pelo celular. Ele, unknown, torna-se cada vez mais ameaçador. Comete um assassinato. A coisa do celular começou me incomodando, mas não é, para a geração de Kristen, uma modernidade supérflua. E ela, em seu segundo trabalho com Assayas, é ótima. Aproveito para uma digressão, mais uma. Nunca fui fã de Crepúsculo, mas Catherine Hardwicke, que fez o primeiro filme, não apenas formatou a série como fez um ótimo trabalho de seleção do elenco. Kristen e Robert Pattinson têm feito escolhas interessantes e até ousadas, em sua vida depois da série. Os coleguinhas, sempre eles (e elas), me disseram que não conseguiam acreditar numa personal shopper que se vestia como mendiga. Faz parte do charme do filme. Vivendo em Paris, Kreisten, naturalmente, ‘afrancesa-se’. Quando não está experimentando as roupas de Kira, é aquela pobreza. Kristen Stewart é uma das estrelas mais elegantes do cinema atual, e no outro dia The Hollywood Report recordou suas aparições no tapete vermelho de Cannes (e Hollywood), comentadas por quem entende. Kristen recebeu nota 10, sempre. No filme, espíritos – ectoplasmas -, ficam aparecendo, mas o tempo todo tem gente que discute se existem. No final, menos importante que o espírito do irmão, é a natureza atormentada da personagem de Kristen. Não é um grande Assayas, mas é muito bem filmado e tem momentos tão fortes que me desmontaram. E vale lembrar que Kristen recebeu em fevereiro o César, o Oscar francês, justamente por seu papel no Assayas anterior, Sils Maria, que já havia concorrido em Cannes no ano passado.