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Cannes (23)/Ceylan, para fechar a competição

Luiz Carlos Merten

18 Maio 2018 | 19h38

CANNES – Não é raro que ocorra isso. No último dia, na última sessão, o melhor filme. O turco Nuri Bilge Ceylan não é uma unanimidade, e não foi de novo. Os amigos portugueses reclamaram de suas mais de três horas – 188 min -, dizendo que cortavam uma. Não seria um filme de Ceylan, que coloca o foco no tempo e adora filmar essas longas conversas. Dib Carneiro, premiado como autor de teatro, iniciou um curso para escrever para audiovisual. Eu penso sempre que Ceylan escreve seus filmes como se fossem para teatro. Intermináveis conversas sobre afeto, ideologia, literatura, o sentido da vida. Dessa vez, o herói, Sinan, volta para casa para escrever um livro. Não consegue ir adiante por causa dos problemas familiares – com o pai. Como duas pessoas que chegaram ao fundo do poço conseguem reiniciar o diálogo? Não sei se esse júri feminista outorga a Palma a um filme tão masculino. Estou aqui louco para ver como será a premiação de amanhã à noite. E, domingo, Paris!