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Cannes (22)/Está chegando a hora!

Luiz Carlos Merten

26 Maio 2017 | 19h23

CANNES – Estava chegando ao palais para ver a Lynne Ramsay quando encontrei Mariane Morisawa, que havia saído do filme (e achou horroroso). Preferi ir jantar com a Mari, deixando You Were Never Really Here para amanhã. Meu sábado será corrido. Vou emendar um filme atrás do outro, até às 3 da tarde. Depois de uma pausa para almoço haverá, às 4, o prêmio da crítica. Tempo de escrever alguma coisa e a premiação da mostra Un Certain Regard, seguida do filme vencedor, que talvez não tenha visto. Uma Thurman preside o júri. Cria de Quentin Tarantino, que pratica uma cinefilia às avessas – é viciado em filme B -, qual será o gosto da ex-senhora Ethan Hawke? E ainda gostaria, nisso tudo, de achar um tempo para ver a versão restaurada de Lucía, de Humberto Solás. O Luchino Visconti cubano. Surpreendo se disser que, no meu imaginário, Lucía – que, além de tudo, é o nome de minha filha – é melhor que qualquer Tomás Gutiérrez Alea, melhor que os docs e noticieros de Santiago Alvarez? Cannes 2017 está terminando. Mais um festival, menos um festival, como diria Mário Peixoto. Na segunda, embarco para Paris e lá permaneço toda a semana. Dib Carneiro vai ao meu encontro – do Brasil. Na segunda, o site dele, Pecinha É a Vovozinha, concorre a um prêmio importante em São Paulo. Não sei se vai ganhar, mas deveria. O que o Dib tem feito pelo teatro infantil no País – e pelo adulto, através de sua associação com Gabriel Villela – não está no gibi. Por conta da premiação, ele embarca na terça e só chega na quarta. Depois da overdose de filmes em Cannes, conto as horas para revisitar o circuito de arte ensaio do Quartier Latin, onde gosto de ficar. Na Filmo(thèque) já sei que está Sandra/Vagas Estrelas da Ursa. Luchino Visconti! Claudia Cardinale! César Frank! Não sei dos meus colegas, mas tenho um prazer enorme em visitar, nos corredores do palais, a história desses 70 anos. Fotos que pertencem à história. A festa grega em 1960, Jules Dassin carregado em triunfo (por Nunca aos Domingos), sob o olhar atento de Melina Mercouri. Sophia Loren e Romy Schneider, uma de preto, outra de branco, por Boccaccio 70, 1962. Alfred Hitchcock e Tippi Hedren libertando os pássaros na entrada do velho palais, antes da apresentação de The Birds, em 1963. Nenhuma dessas imagens é, a rigor, estranha para mim. Atuam como madeleines. Cada uma possui sua carga de informação no meu imaginário. Tempo perdido, e reencontrado.