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Cannes (22)/Cinema Novo

Luiz Carlos Merten

16 de maio de 2016 | 14h03

CANNES – Vivi momentos de euforia e até chorei vendo Cinema Novo, o documentário de Eryk Rocha na seção Cannes Classics. O filme não é ‘sobre’ o movimento que marcou o cinema do Brasil nos anos 1960. É sobre os sonhos de uma geração que amava o cinema e queria mudar o País. Eryk fugiu à obviedade das entrevistas e de certas cenas que estão no nnosso imaginário. Com suas escolhas, de cenas recolhidas de encontros na época e fragmentos de filmes, acendeu a fagulha de velhas lembranças. Gostei de rever tantos momentos emblemáticos. E Eryk aproveitou, diante da plateia na maior vitrine de cinema do mundo, para lamentar “a nova interrupção que a democracia está sofrendo no Brasil”. Não sei se isso vale como tomada de posição, mas a imprensa francesa só mostra imagens de protestos contra o novo governo Temer. Estudantes, mulheres nas ruas, panelaços. Dir-se-ia, vendo as imagens, que a situação se inverteu ‘lá-bas’, como dizem os franceses. Aproveito o mesmo post para dar conta, rapidamente, do novo Jeff Nichols. Tenho um filme para ver daqui a pouco. Não havia gostado muito de Midnight Special em Berlim, mas o filme acaba de estrear na França com ótimas críticas. Loving é sobre um casamento interracial na Virgínia, nos anos 1950. Pai branco, mãe negra, filhos mestiços. O juiz local condena o casal pelo que chama de ‘ultraje às leis de Deus e da comunidade”. Cortesia de Bobby Kennedy, no momento em que surge o movimento por direitos civis na ‘América’, o caso vai para a Suprema Corte. Os atores, Joel Edgerton e Ruth Negga, são ótimos, o filme é bem feito e tem cenas emocionantes, mas é minha segunda decepção consecutiva com Nichols. Confesso que achei altruísta demais, tipo ‘olha aqui nós fazendo história’. Mas tem umas cena impactante. O advogado pergunta a Edgerton, o Sr. Loving, o que gostaria de dizer aos juízes da Supremas Corte dos EUA? Não pude deixar de pensar no que muita gente gostaria de estar dizendo aos juízes da Suprema Corte no Brasil.