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Cannes (21)/Spielberg!

Luiz Carlos Merten

16 de maio de 2016 | 02h43

CANNES – Vivi ontem momentos de euforia pessoal e profissional, aqui em Cannes. Não apenas gostei (muito) do novo Jim Jarmusch, Paterson, como fiz uma one a one com Steven Spielberg. OK, não foi pelo melhor trabalho dele, O Bom Amigo Gigante, que estreia no fim de junho no Brasil, mas, além do filme, pudemos falar sobre sua carreira e esclareci minhas dúvidas sobre sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro, formada por O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique. A matéria está no Caderno 2 de hoje. Steven foi muito legal. Falamos da guerra de Bush filho no Iraque, que não teve nada a ver com o ataque às torres gêmeas, muito menos com armas massivas ou o desejo de desmontar o ditador Saddam Hussein do poder para que a democracia vencesse no Iraque. Bush filho quis completar a guerra de Bush pai – e eu lembrei de Soldado Anônimo, de Sam Mendes, o autor de pais e filhos, que naquele filme trata da guerra de Bush pai para falar da do filho. Conversamos sobre Alfred Hitchcock e John Ford, sobre sonho e realidade – o pesadelo de seus filmes adultos -, sobre analógico e digital. No final, tive a impressão de que ele também gostou, porque repetiu a frase de Woody Allen ao me abraçar, anos atrás. “Take care.” E acrescentou – “Enjoy the festival.” Estou ‘enjoying’. Entrevistei também o elenco e Mark Rylance, o novo bom amigo de Steven – fizeram esse e o anterior, Ponte dos Espíões, vão fazer mais dois -, foi uma surpresa. Mark integra uma associação internacional que defende índios da Amazônia. Sabe tudo sobre o Brasil. Comentou o impeachment, que chamou de golpe travestido de legalidade. E contou – anos atrás, em 1985, Spielberg o havia chamado para fazer O Império do Sol e ele disse não. Nas época, estava mais interessado em teatro, e embora a experiência não tenha sido boa – a peça foi um fracasso -, foi durante os ensaios que ele conheceu sua mulher e estão juntos até hoje. Cannes tem dessas coisas. Mesmo que sejam encontros fortuitos, algumas pessoas nos dão a impressão, dentro dessa correria, de que alguma coisa (um pouco mais profunda?) está acontecendo. Com ‘Steven’ e ‘Mark’, foi assim.