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Cannes (21)/Mistério Emmanuelle, mistério Polanski

Luiz Carlos Merten

26 Maio 2017 | 14h35

CANNES – Entrevistei agora à tarde – não se esqueçam de que estou cinco horas à frente – Emmanuelle Seigner e Eva Green, por Based in a True Story. Roman Polanski não quis saber de entrevistas – individuais ou mesas redondas -, sobraram elas. Uma escritora (Emmanuelle) desenvolve uma relação obsessiva com leitora. No limite, Eva quer roubar a identidade de Emmanuelle, ou sua obra? Quer simplesmente destruí-la? Emmanuelle contou que Roman não estava conseguindo fazer um filme grande e, para não ficar parado, pensou em fazer algo pequeno, como produção. Coincidentemente, uma amiga deu o livro de Delphine de Vigan a Emmanuelle, que leu e gostou. Repassou para o marido, e assim nasceu Baseado em Fatos Reais, que passa fora de concurso, no encerramento do 70.º festival. Emmanuelle contou como, aos 19 anos, sem falar uma palavra de inglês, foi parar num filme de Polanski, num pequeno papel – Frantic, de 1988. Há quase 30 anos! Não ligava nem um pouco para a carreira de atriz. Não tinha grandes ambições. Queria só se divertir. Ela admite que o tempo, e o convívio com Roman, fizeram-na sentir as coisas de forma diferente, mas ainda surpreende ao dizer que não vê muita criatividade no trabalho como atriz. Gosta do que faz, mas é um instrumento nas mãos do diretor. Nenhum filme expressa a visão de um ator, mas a do diretor. Se pudesse, gostaria de ser escritora, como a personagem de Baseado numa História Real. Mas, quando no fim da entrevista, o repórter lhe soprou no ouvido que, com A Pele de Vênus e o novo filme, ela se tornou uma grande atriz e devia ser mais compassiva consigo mesmo, a emoção pareceu tão genuína no olhar de Emmanuelle que seu abraço foi espontâneo. Polanski! Ele acertou, de novo. Xiii, estou atropelando. Ainda não posso fazer crítica, só amanhã. Pensei muito na minha amiga Ursula Groszka. Acho que ela gostaria de Baseado numa História Real. Eu gostei e, mesmo que Vênus tenha me parecido melhor, essa história de duplos, e predadores/predadoras, tem a marca do grande diretor. A Paris vai distribuir o Polanski no Brasil. E ah, sim, o roteiro é dele com… Olivier Assayas.