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Cannes (20)/Depois do amor, o que sobra?

Luiz Carlos Merten

15 de maio de 2016 | 19h28

CANNES – Confesso que, a par da competição, não tenho visto muita coisa de Um Certain Regard, que também integra a seleção oficial. Tenho visto mais a Quinzena. Dose dupla de Béréenice Bejo. A atriz francesa de O Artista está no Marco Bellocchio (Fai Bei Sogni, maravilhoso) e no Joachim Lafosse (After Love, bem bom). O filme é sobre um casal (Berenice e Cedrick Kahn) que se separa, mas segue vivendo sob o mesmo teto. Há um jantar que deveria ser uma comemoração, mas vira um inferno. O belga Lafosse, de À Perdre la Raison – que deu a Emilie Duquenne o prêmio de melhor atriz em Um Certo Olhar, acho que há três anos -, sabe criar momentos de tensão e mal-estar. Fazia tempo que não via um filme como esse, sobre a economia do casal. Nenhum dos dois quer abrir mão do que investiu financeiramente na casa. A questão econômica superpõe-se à emocional. A crise da Europa (e do mundo) espelha-se em ‘depois do amor’.