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Cannes (1)/Paul Newman! Devem estar tirando onda comigo

Luiz Carlos Merten

16 Maio 2017 | 18h11

CANNES – Cá estou, de novo. Cheio de expectativa por mais um festival, o de número 70. A imagem da jovem Claudia Cardinale domina a portada do Palais. Claudia! Como sempre, estou no mesmo hotel. Patio des Artistes, que todo ano ornamenta-se de fotos contando a história do festival. Devem estar tirando onda comigo. A foto no quadro da minha porta é do jovem Paul Newman, um deus. E a foto no corredor, em frente, é de Claudia naquele mítico ano de 1963 em que Luchino Visconti ganhou a Palma de Ouro, por O Leopardo. Claudia na Croisette conduzindo um leopardo na corrente. Cheguei, tinha o material de amanhã do Caderno 2 para completar, fui jantar e já vim postar. Ainda nem abri o pacote com a credencial e os catálogos, que o festival, gentilmente, me entrega no hotel. Não sei quantos seremos – digo, os jornalistas brasileiros. José Carlos Avellar me faz aquela falta imensa. Não virão, por causa da crise, Carlos Eduardo Lourenço, Neuza Barbosa, Thiago Stivaletti. Com quem vou almoçar, jantar, trocar ideias? Elaine Guerini faz seu festival; eventualmente, nos cruzamos. Carlos Heli é como peixe n’água. Rodrigo Fonseca está sempre no celular (e este ano é jurado da Fipresci). O festival inicia-se duplamente sob o signo da polêmica. A Netflix, provedora de filmes via streaming, tem dois filmes na competição – The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach, e Okja, de Bong Joon-ho – e já anunciou que nenhum deles, com ou sem Palma, irá para os cinemas. Duvido. Na França, serão exibidos em salas, podem esperar. E o Arnaud Desplechin que inaugura o festival – amanhã, quarta, 17 – já virou um caso à parte. A versão que vamos ver de Os Fantasmas de Ismael, de 1h50, é do produtor. A versão de 2h10, do diretor, vai passar em Paris com exclusividade no L’Athenée e será a mesma lançada nos EUA. Imagino que, por conta disso, venhamos a ter animadas discussões sobre plataformas, direito de autor, arte e comércio do cinema. Só para lembrar. Faz um ano que, aqui em Cannes, houve o protesto da equipe de Aquarius, que terminou levando o filme de Kleber Mendonça Filho, naquela infame comissão do Oscar, a ser desqualificado para tentar a indicação como candidato do Brasil. Hoje, a caminho do aeroporto, em Lisboa, vi grafitis com as palavras de ordem – Fora, Temer! Em Lisboa! E, ontem, aí em São paulo, na premiação da APCA, o ex-prefeito Fernando Haddad, representado pela mulher, foi ovacionado por suas iniciativas de mobilidade urbana. Ainda na APCA, houve ‘Fora, Dória’, ‘Fora, Temer’ e ‘Fora, Sturm’, o secretário Municipal de Cultura André Sturm. A cultura, como na época da ditadura, resiste. Já são mais de 23 h aqui. Preciso me preparar para a correria de amanhã. Como dizem os franceses, à bientôt.