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Cannes (19)/E o novo nome da Palma é… Jarmusch?

Luiz Carlos Merten

15 de maio de 2016 | 19h01

CANNES – Gostei muito do romeno – Sieranevada, de Cristi Puiuu -, que, até aqui, estava sendo meu favorito na competição. Como as coisas tendem a ser dinâmicas num festival, quero dizer que vi hoje outro filme que me deixou chapado. Jim Jarmusch! Paterson conta a história de um motorista de ônibus que quer ser poeta. Adam Driver, de volta do lado escuro da Força, passa o tempo todo esgrimindo-se com as palavras. No filme, é casado com Golfishteh Farahani. Possuem um cachorro, um buldog, Marvin. Mesmo que Paterson não venha a ganhar a Palma de Ouro – hoje, eu a daria, tranquila e integralmente, a Jarmusch -, Marvin tem de levar a Palma Dog. O cão é genial. Me deixou morrendo de saudade de minha ‘neta’, Angel. Vi no Recife o documentário sobre São José do Egito, terra de poetas em Pernambuco. Paterson é a São José do Egito norte-americana. Paterson, New Jersey. Ali nasceram William Carlos Williams e Allen Ginsberg. Não sei, sinceramente, até que ponto se trata de uma liberdade do diretor, porque resolvi confirmar e minha pesquisa apontou para outras localidades. Carlos é de Rutherford e Ginsberg, de Newark. O filme passa-se durante uma semana, de segunda a segunda. Em geral não gosto muito de Adam Driver, mas, dessa vez, rendi-me. Ele é maravilhoso. O personagem leva uma vida metódica. Como os ônibus que repetem o mesmo trajeto, sempre no horário, ele acorda na mesma hora, dia após dia, e funciona como um relógio na boa e velha rotina. A poesia o resgata da banalidade. Ocorre uma coisa que faz o herói derrapar. E, quando ele parece que vai implodir, entra em cena um turista japonês- e mais não conto. Jarmusch sempre foi minimalista. Há tempos não o via tão depurado. Seu filme me deixou ‘in heaven’.