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Cannes (19)/E Gabriel não passou impune na Semaine

Luiz Carlos Merten

26 Maio 2017 | 09h29

CANNES – Único longa brasileiro concorrente no 70.º festival, Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa, ganhou dois prêmios na Semana da Crítica. Não o principal, outortgado pelo júri presidido por Kleber Mendonça Filho, mas o prêmio Revelação, outorgado pelo canal France 4 e o prêmio Gan para ajudar na ‘diffusion’. O grande vencedor da Semaine de La Critique de 107 foi o documentário de Emmanuel Gras, Makala. O filme acompanha a jornada de Kabwita, que vive numa regi~sap distante do Congo, até Kinshasa. Permitam-se divagar um pouco. No começo dos anos 1960, aproveitando-se das novas técnicas – câmera na mão, som direto -, dois italianos, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi, fdizerasm um documentário poilêmico. Mondo Cane/Mundo Cão tinha uma trilha excepcional, mas as imagens eram muitas vezes insuportáveis, para expressar. o horror do título. Lembro-me perfeitamente de uma ninhada de tartaruguinhas que, em vez de correr paras o mar e se salvar dos predadores, iam na direção inversa, para a morte certa. Na época, os diretores, defendendo-se das acusações de oportunismo, disseram que não podiam intervir na realidade, sob pena de comprometer a ‘seriedade’ de seu projeto. Mais de 50 anos depois – 55, por aí -, Emmanuel Gras também não intervém no que se passa com Kabwita na tela. Como ele resiste a lhe prestar socorro, quando Kabwita preciosa de ajuda?Em nome da honestidade e da ética, a câmera vira uma espécie de olho de Deus. E Kabwita, mesmo acompanhado, está só. Não sei se teremos de esperar até o É Tudo Verdade do ano que vem para ver Makala no Brasil. Antes disso, teremos o Festival do Rio, a Mostra de São Paulo. Makala perturba. Outra coisa não podia se esperar de um júri presidido pelo Kleber.