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Cannes! (19)/A sorte está lançada

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2015 | 13h06

CANNES – Passei de volta no hotel paras acrescentar este post e pegar meu laptop. Desde a manhã restou vendo filmes. O Kore-eda, Nossa Pequena Irmã, que amei. Revi O Filho de Saul, do húngaro Laszlo Nemes, um dos filmes mais enervantes de todos os tempos. Talvez aquela visão de dentro dos campos de extermínio já estivesse em Claude Lanzmann, Shoah, mas nunca, dessa maneira, tratada como ficção. Os judeus que trabalhavam para os nazistas nos campos da mortye. Os kapos. Um deles identifica num garoto morto na câmaras de gás seu filho – será mesmo? O importante é que Saul vai querer lhe dar um enterro apropriado e, por isso, inicia uma jornada louca, que o diretor filma num quadro reduzido. Ele (re)cria o inferno. Sabemos disso, mas nossa visão é muito parcial. Tela 1:33. E há o som. Revi O Filho de Saul paras tirar a teima. É muito bom, e até acredito que deve ganhar – já levou o prêmio da crítica -, mas, para o meu gosto, dava o prêmio para o mexicano Michel Franco, de Chronic. A morte rondou esse festival. No filme de Franco, Tim Roth faz um enfermeiro de pacientes terminais. Em menos de uma hora, termina o suspense. Provavelmente, quando terminar esse texto, terei uma meiua-hora para correr para o palais. A cerimônia de encerramento começa às 7, 2 da tarde no Brasil. Depois, as coletivas do júri e dos vencedores. Às 5 da tarde, daí, estará tudo concluído. Não ponho muita confiança nos Coen como presidentes do júri nem como cineastas, mas espero que me surpreendam favoravelmente e não cedam à facilidade de premiar Carol, de Todd Haynes nem The Lobster, do grego Yorhos Lanthimos, que tem um humor (negro) que é a cara deles. Foi um bom festival, muitos bons filmes, exceto pelo elefante na vidraçaria. Cinco filmes franceses – uns dois poderiam estar na disputa, e não seriam os melhores., Cinco depõem contra a primeira seleção de Pierre Lescure, mas na entrevista que deu para o Caderno 2, o presidente do festival disse que o final cut é do diretor artístico Thierry Fremaux. Só depois será possível avaliar, garantiu. O momento é de expectativa, mais que de ansiedade. Pelo quadro de cotações dos críticos, publicados nas revistas que circulam aqui, Nanni Moretti leva. É o campeão de Palmas (e estrelas) com Mia Madre. Prefiro seguir apostando em O Filho de Saul e Chronic. A sorte está lançada. Os nomes dos vencedores já estão nos envelopes. Que vença(m) o(s) melhor(es).