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Cannes (17)/Humor à italiana

Luiz Carlos Merten

14 de maio de 2016 | 20h52

CANNES – Gostaria de ter revisto hoje, em Cannes Classics, o vencedor da Palma de 1966, Um Homem, Uma Mulher. Não tenho muito apreço pelo filme de Claude Leloluch nem por seu chabadabadá romântico, mas a sessão foi realizada com a presença da equipe do filme. Só a possibilidade de (re)ver Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant me parecia sedutora, mas terminei vendo o filme de Andrea Arnold na competição – para não ter de recuperar depois -, e foi ótimo porque saímos em grupo para jantar. Tiago Stivaletti, Neusa Barbosa, Flávia Guerra e Anna Luiza Müller, que está aqui com os filmes de Kleber Mendonça Filho (Aquário) e Eryk Rocha (Cinema Novo). Perdi o Lelouch. mas consegui ver antes a versão restaurada, com um P&B espetacular, de Signore e Signori, a comédia de Pietro Germi que venceu, debaixo de vaias, a Palma de 1965. No Brasil, chamou-se Confusões à Italiana. Germi foi um crítico implacável dos códigos de honra meridionais – Divórcio à Italiana, Seduzida e Abandonada – e aqui não deixa pedra sobre pedra na abordagem de uma burguesia que, no boom da Itália, só pensa em tirar proveito das benesses econômicas. Um burguês respeitável conta a seu médico que é impotente e ele logo repassa a informação – mas na verdade o cara está aprontando todas, inclusive com a mulher do dottore. Virna Lisi e Gastone Moschin estão no elenco e eu confesso que me diverti, mesmo reconhecendo que o humor virulento de Germi não tem a dimensão trágicômica nem ontológica de Dino Risi, o Michelangelo Antonioni do humor.