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Cannes (16)/Cannes Classics

Luiz Carlos Merten

24 Maio 2017 | 20h53

CANNES – Meus encontros com Amir Labaki têm me rendido conversas muito ricas sobre documentários e os clássicos restaurados. Quem nos visse na saída do Madame de…, de Max Ophuls, poderia achar que estávamos loucos. O filme chamou-se, no Brasil, Desejos Proibidos. Em inglês é The Earrings of Madame de… e os brincos são importantíssimos na narrativa. Parecíamos, Amir e eu, duas crianças, tamanha era a excitação, cada um querendo falar, antes que o outro, da beleza dos movimentos de câmera e do rigor crítico com que Ophuls, o cineasta da valsa, operava, de dentro, a destruição de um universo aristocrático e romântico que, obviamente, o fascinava. Nunca havia visto Madame de…, não me perguntem por quê. O filme passou aqui como homenagem a Danielle Darrieux, que acaba de fazer 100 anos. Vittorio De Sica tem um papel decisivo e vejam como são as coisas – seu neto Andrea De Sica virou diretor de um filme que tem dado o que falar no mercado, Children of the Night, premiado no Festival de Cinema Fantástico de Bruxelas, em abril. Amir viu hoje, em Cannes Classics, La Bataille du Rail, o experimento neo-realista de René Clément, com atores não profissionsais como integrantes da resistência francesa na 2.ª Grande Guerra. Eu revi, na terça, l,ogo depois de Madame de.., A Bela da Tarde, apresentado por Jean-Claude Carrière. Essa revisita aos clássicos me dá sempre grande prazer. É dos momentos que me fazem feliz de estar aqui em Cannes.