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Cannes (15)/O gigante (de) Spielberg

Luiz Carlos Merten

14 de maio de 2016 | 11h15

CANNES – Confesso que ainda não sei como vai se chamar no Brasil The BFG, The Big Friendly Giant, de Steven Spielberg. Na França, é Le Gros Bon Géant e o filme está aqui em Cannes fora de concurso, usando o quadro do maior festival do mundo para fazer sua junkett. O Grand Théâtre Lumière estava lotado para ver o filme e as pessoas quase se mataram para entrar na coletiva. Banquei o blasé. Como entrevisto amanhã todo mundo, fui ver um programa alternativo. Spielberg continua alternando filmes de grande espetáculo e obras de um caráter mais político, mais ‘sérias’. The BFG baseia-se no livro de Roald Dahl, autor que é considerado um clássico infanto-juvenil. A produção é da Disney e o roteiro, de Melinda Mathison, ex-mulher de Harrison Ford, que escreveu E.T. (e morreu em novembro passado). Conta a história de garota órfã que encontra o gigante amigável do título. Ele a leva para sua terra, habitada por gigantes maiores (e devoradores de gente). Na melhor tradição da Disney, e do próprio Spielberg, o filme mistura sombra e luz, medo e redenção. Sofia, a garota, aprende com o gigante que a vida pode ser sonho, e os dela se realizam. É tudo muito bonito, a técnica é prodigiosa e Spielberg refaz a parceria com Maek Rylance, seu ator (oscarizado) em Ponte dos Espiões. Os dois já estão engatilhando novo filme e o próximo, The Kidnapping of Edgardo Mortara, vai assinalar o retorno à vertente política, contando a história de um jovem judeu de Bolonha, na Itália do século 19. Ele é batizado e entregue a uma família cristã para ser criado, mas seus pais iniciam uma batalha jurídica que envolve o Vaticano e vira emblema da luta por democracia no quadro do Risorgimento.