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Cannes (14)/Mademoiselle

Luiz Carlos Merten

14 de maio de 2016 | 10h48

CANNES – Lembro-me do choque que foi a descoberta do cinema do coreano Park Chan-wook, aqui mesmo em Cannes, com Oldboy. Vi depois todos aqueles outros filmes – Lady Vingança, Mr. Vingança, Laços de Sangue, Segredos de Sangue. Chan-wook está de volta na Croisette com Mademoiselle. O título é o mesmo de um filme de Tony Richardson com Jeanne Moreau, de 1966, adaptado de Jean Gênet. Jeanne fazia uma austera professora numa cidade do interior. Envolvia-se com caçador, enlouquecia de desejo e usava sua respeitabilidade para iniciar uma onda de destruição sem despertar suspeita. Não estamos muito longe da demoiselle de Chan-wook. Desculpem, esse é um blog do Estadão, um jornal de respeito e tradição, mas não consigo definir de outra maneira o novo filme do autor coreeano. É uma deliciosa putaria. Divide-se em três partes. Uma garota coreana, com experiência de ladra, vai servir a demoiselle do título no Japão, como parte de um plano para extorquir a fortuna dela. A japonesa faz as vezes de leitora para um velho depravado que a inicia em práticas sadomasoquistas. As duas mulheres tornam-se amantes, enchem a tela de jogos lésbicos (plásticos e picantes) e, a partir daí, nada é o que parece e o relato toma rumos inesperados. Só para sua informação – o plano é internar mademoiselle como louca, mas quem vai para o hospício é a serva. Podem ficar sossegados. Não é nenhuma Ilha do Medo/Shutter Island, aquela bomba (tem gente que gosta) de Martin Scorsese com Leo Di Caprio. Já pensando em termos de premiação – o filme é tão estilizado e bonito, e as mulheres tão poderosas, que deve agradar ao protofeminista George Miller, presidente do júri. Basta lembrar da Furiosa de Charlize Theron em Mad Max – Estrada da Fúria.