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Cannes (13)/O mala do ano

Luiz Carlos Merten

13 de maio de 2016 | 21h32

CANNES – A competição de Cannes tem quatro diretores que nunca estiveram na corrida pela Palma de Ouro. Dois, o francês Alain Guiraudie e o romeno Cristi Puiu, já participaram e até foram premiados em outras seções do festival. Kleber Mendonça Filho e Maren Ade estão chegando. Estou até agora tentando identificar o filme da alemã, que vi à noite. Sou pai e quem me acompanha no blog sabe como sou sensível ao tema das relações entre pais e filhos. Toni Erdmann é sobre um pai que começa constrangendo a filha. Ele é libertário, outsider, ou simplesmente um mala, um sem noção. A filha tenta abrir caminho no mundo corporativo. Ela tem o que parece um rival na companhia multinacional, mas são amantes. O que é normal, quais os limites das fantasias na tela? Ela não deixa o amante penetrá-la, exige que ele goze se masturbando e fica olhando. Ele ejaculas em cima de um doce, que a protagonista, na sequência, come gulosamente. Antes que você se pergunte que mundo é esse, o pai mala cria a persona do título para permanecer próximo à filha. Ela o acusa de estar tentando destruí-la, mas, de alguma forma, Toni ajuda a filha a ver o competitivo mundo a seu redor sob outro ângulo. Se pai e filha não tivessem se reconciliado, acho que teria voltado ao Cinéma de la Plage, não para terminar o filme de De Broca – Toni Erdmann tem quase três horas, Esse Mundo É dos Loucos já tinha terminado há horas -, mas para me afogar na praia. Estou, por assim dizer, desconcertado. Não consigo dizer se gostei ou não da Maren Ade. A plateia dividiu-se. Metade aplaudiu, metade vaiou. Uma noite de sono talvez me ajude a formar uma opinião.