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Cannes (12)/Téchiné e suas mulheres maravilhosas

Luiz Carlos Merten

22 Maio 2017 | 20h19

CANNES – Depois do Gitai, mal tive tempo de passar no hotel para conferir e-mails e já estava correndo para o Palais, mais exatamente para a Salle Debussy. Nas comemoração de seus 70 anos, o festival tem prestado homenagens a diretores/autores que ajudaram a construir sua história. Hoje à noite, houve a homenagem a André Téchiné, precedida por uma série de filmetes – 50 anos de carreira, de paixão etc. André e suas mulheres. Elodie Bouchez, Isabelle Huppert, Juliette Binoche, Sandrine Bonnaire, Sandrine Kiberlain e, claro, Catherine Deneuve, que este ano também comemora aqui no festival, em Cannes Classics, na terça, 23, os 50 anos de A Bela da Tarde. Foram quatro minutos, contados no relógio, de standing ovation para Téchiné. Ele ficou tão emocionado que se dispersou no palco e, na hora de nomear as atrizes, esqueceu-se de Juliette, o que obrigou Thierry Frémaux a lhe soprar o nome da Binoche no ouvido. E veio o novo filme dele, Nos Années Folles. Gostei muito mais de rever as imagens dos filmes antigos. O novo baseia-se numa história real. Paul deserta na 1.ª Guerra e, para escondê-lo, sua mulher lhe cria uma persona feminina. Paul vira Suzanne. Toma gosto pela coisa. Prostitui-se, mas não gosta da palavra. Diz que faz o que gosta – dar, né, bela? Bate na mulher e a engravida, mas não segura a onda de ser pai. A relação degringola. Termina em tragédia, com o pai tentando matar o filho e a mãe… Certamente inspirado no exemplo clássico de Lola Montès, de Max Ophuls, Téchiné conta a história de Paul/Suzanne como um espetáculo de teatro, mas não consegue achar o tom. O filme não é mágico nem sórdido que chegue e, para completar, ou complicar ainda mais, o ator que deveria fechar o triângulo com Celine Sallette e Pierre Deladonchamps, como pretendente da mulher, não segura o papel de macho – Grégoire Leprince-Riguet. Mas quando saí do palais o público ainda estava aplaudindo Téchiné.