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Cannes! (10)/Na tela ou na vida?

Luiz Carlos Merten

17 Maio 2015 | 21h00

CANNES – Há um clima que me parece exagerado aqui na Croisette em  favor de Todd Haynes. Gosto do cara, achei Carol bonito mas frio, mas sou a exceção, porque sinto um movimento de ‘Já ganhou!’ em favor do filme. Não entro nessa, mas reconheço que o desfecho, o olhar de Cate Blanchett para Rooney Mara, que vira o olhar de Cate para a câmera, é uma das mais coisa mais extraordinárias/impressionantes dos últimos tempos. Cate vai para o Oscar do ano que vem, anotem. Mesmo assim, acho que ela fez gênero, tentando trazer para a vida o lesbianismo da personagem. Está sendo a sensação da Croisette. Nem foi aqui. Numa entrevista para Variety, a repórter perguntou como haviam sido as cenas de sexo gay. Cate retrucou – na tela ou na vida? E, diante da insistência da repórter, disse que teve muitas cenas de sexo com mulheres na vida. Confesso que não senti firmeza – atores são os eternos fingidores de Fernando Pessoa -, mas se era para criar o evento dois anos depois das cenas viscerais de Lea Seydoux e Adele Axerchopoulos em La Vie d’Adèle, Cate conseguiu. Outro que conseguiu provocar sensação foi Woody Allen, na coletiva de Irrational Man. Sincero ou não, Woody, que assinou para fazer uma série em seis episódios para Netflix, disse que ingressou num pesadelo. “Para quem faz filmes de 90 minutos, achei que seria fácil fazer seis filmes de 30 minutos cada. Seriam dois longas. Está sendo complicadíssimo. Tem horas que acho que não vou conseguir. Só espero não decepcionar a confiança da Netflix.” E sobre o elenco, confessou. “Sempre tive vontade de filmar com Parker Posey por causa do nome. É sonoro e estranho. Makes me think.”