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Cacá Diegues, Cineasta do Brasil

Luiz Carlos Merten

08 de setembro de 2017 | 09h57

Fizemos, Ubiratan Brasil e eu, uma entrevista com Cacá Diegues para o Face do jornal. Está lá, para quem quiser conferir. O mote foi/é a grande retrospectiva de Cacá que começou ontem no Belas Artes, com direito a debate do diretor com a (co)curadora do evento, Sílvia Oróz. No sábado, ou seja, amanhã, Sílvia ministra uma master class – o Brasil visto pelos filmes de Cacá Diegues. Gostaria muito de ter ido ao debaste do primeiro dia, mas meu editor, Ubiratan, me pautou para fazer a crítica de It – A Coisa, acompanhando uma entrevista com Stephen King, na edição de hoje do Caderno 2. Que pesadelo! Posso estar falando, um pouco, do filme de Andy Muschietti, que eu não fazia a menor ideia de quem era. Fui pesquisar e descobri que Andy é Andrés, um diretor argentino fazendo carreira em Hollywood. Seu próximo filme será um prólogo para a conhecida história de Drácula. Interessante… O pesadelo, propriamente dito, foi que corri de um cinema para outro, feito barata tonta. Estavam todos lotados, sessões esgotadas aqui e ali. Foi um sufoco até conseguir ver o filme. Pennywise, a Coisa. O Palhaço assassino. Mais até que assustador, achei desagradável. Muschietti e o ator Bill Skarsgaard criam o personagem de um jeito que provoca mal-estar. Emana dele um nojo. E aquele sorriso malévolo… Volto ao Cacá. É um diretor por quem tenho um carinho imenso. Cacá cinenovista não era tão grande quanto Glauber Rocha. Nem Ruy Guerra. Mas a evolução de sua carreira fez dele um grande diretor. Nenhum cineasta brasileiro talvez tenha mudado tanto em sua carreira. O jeito de Cacá filmar mudou porque o mundo e o Brasil mudaram. Ele próprio considera Joanna Francesa um marco divisor. Escrevi isso em Porto Alegre, na extinta Folha da Manhã, quando vi o filme, em 1973. Meu primeiro coup de foudre por um filme dele! Depois vieram Xica da Silva, Bye Bye Brasil e o meu preferido, Chuvas de Verão. Existem filmes que quero muito (re)ver na retrospectiva de Cacá. A Grande Cidade, Os Herdeiros – que vi só uma vez, há quase 50 anos (é de 1969) e, na época, não gostei nada; amei Joanna Francesa porque o vi justamente ‘contra’ Os Herdeiros -, Xica da Silva e Orfeu. Por esse tenho um sentimento ambíguo que nem sei explicar. Não é um filme de que possa dizer ‘Gosto!’, mas tenho a impressão de que, depois de Rocco e Seus Irmãos e Hiroshima, Meu Amor, Orfeu, o de Cacá, deve ser um dos filmes que mais vi na vida. Perdi a conta das vezes que o vi no cinema. E na TV, então… Se estou zapeando e vejo o Toni Garrido, paro. Instantaneamente. De onde vem o meu fascínio pelo filme? Passa pela trilha, com certeza. Estou indo (re)ver daqui a pouco o Hong Sangsoo. Tem cabine de On the Beach in the Night Alone. Amo o sulcoreano e esse é um de seus filmes de que mais gostei. Kim Minhee! Mas tenho de me aligeirar. Ir ao jornal e fazer minhas coisas para poder ver A Grande Cidade às 4. Grande Cacá! São 29 filmes, entre longas e curtas. O 30.º ainda está em gestação – Grande Circo Místico. Jorge de Lima, o poeta do coração de Cacá. Vem coisa boa por aí – espero.

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