As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Byron Haskin, visionário do espaço?

Luiz Carlos Merten

30 de setembro de 2015 | 00h45

Achei muito curioso quando Steven Spielberg, depois de fazer de Guerra dos Mundos a segunda parte de sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro, também tenha feito da ‘marabunta’, a marcha das formigas predadoras, um dos episódios da quarta aventura de Indiana Jones, A Caveira de Cristal. A marabunta, afinal, até onde me lembro, foi uma invenção de Byron Haskin em Selva Nua, de 1954, com Charlton Heston e Eleanor Parker, e apenas um ano antes Haskin dirigiu a sua adaptação do livro famoso de H.G. Wells. Quem se interessa por Byron Haskin? Pelo visto, Steven Spielberg e eu. Brilhante iluminador, ele faz parte do meu imaginário por filmes de gênero como Sua Majestade, o Aventureiro, com Burt Lancaster, e o noir Estranha Fascinação/I Walk Alone, de novo com Lancaster e Lizabeth Scott. Haskin excedeu na ficção científica com Guerra dos Mundos, A Conquista do Espaço e Da Terra à Lua. Seu último longa, acho que em 1968, foi a fantasia Os Poderosos. Anos antes, em 1964, ele transpôs a saga do herói de Daniel Dafoe para o espaço e fez Robinson Crusoé no Espaço. Lembrei-me do filme nesta semana porque meu editor, Ubiratan Brasil, pediu-me uma galeria de filmes sobre Marte (e os marcianos) para acompanhar uma entrevista com Matt Damon, que interpreta Perdido em Marte, de Ridley Scott, que estreia quinta, amanhã, dia 1.º. Em Robinson Crusoé em Marte, astronauta sofre acidente, seu capacete vaza e ele fica para morrer. Mas sobrevive e a explicação é que Marte tem água, e se tem, um dos componentes é o oxigênio e também tem ar. O que era uma fantasia desgramada de Byron Haskin, quase tão absurda quando o surgimento do Sexta-feira marciano, pode estar se revelando verdade verdadeira, porque uma sonda acaba de descobrir/comprovar a existência de água em Marte. Quando digo que só Spielberg e eu nos interessamos por Byron Haskin, talvez não seja exato. O autor do livro O Marciano, em que Ridley Scott se baseou e o próprio ‘Rid’, autor de obras cultuadas como Alien, o primeiro, e Blade Runner, também. A forma como Matt Damon sobrevive ao acidente que rompe seu uniforme espacial tem tudo a ver com o acidente que atinge Adam West (o Batman antigo), no filme de 1964. Mas, com toda a preocupação de verossimilhança de Perdido em Marte – Scott entope o espectador der informações (científicas ou não) -, o diretor não teve coragem de arriscar o que Byron Haskin já cravava há mais de 50 anos. Há água em Marte! Se há água, há possibilidade de vida. Não estamos sozinhos, é isso?