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Bye-bye, Mr. Trump. E a questão do terrorismo em Spielberg, Munique

Luiz Carlos Merten

09 de novembro de 2020 | 11h22

Joe Biden foi eleito com a maior votação que um presidente dos EUA conseguiu, em toda a história. Como reflexo da polarização que divide o país – a maldita direita -, Donald Trump, que ele acaba de derrotar nas urnas e no Colégio Eleitoral, fica em segundo na lista. Repito o que muita gente já tem dito – bye-bye e já vai tarde, Mr. Trump. Que leve junto os lacaios populistas que, em diferentes latitudes, lhe têm lambido as botas, e vocês sabem de quem estou falando. A pergunta que não quer calar. Trump terá um mínimo de civilidade, e vai admitir a derrota, ou tentará virar o jogo no tapetão? Lembro-me de Arthur Penn. Em 28 de setembro completaram-se 10 anos de sua morte. Dez! Em Amigos para Sempre, o velho imigrante no hospital, diante do filho que foi baleado e luta pela vida, diz a palavra com amargura. América! Com certeza como consequência da expansão territorial – a Conquista do Oeste -, os EUA só conseguem resolver seus conflitos por meio da vioLência. Mentira, chantagem. Mr. Trump não tem o menor escrúpulo em recorrer ao que quer que seja. Ele já foi eleito nop bojo das fake news e do tal algoritmo. No Brasil, Jairzinho, moleque como sempre, também não teve op memor escrúpulo em passar uma rasteira nos seus apoiadores, zerando a tarifa de etanol dos EUA para ajudar seu candidato querido na campanha em Iowa. A derrota de Trump e a denúncia contra o filho mimado no caso das rachadinhas foram dois golpes sucessivos. Confesso que isso dá um alento, mas os ataques do terror na França e na Áustria e a nova onda da pandemia que está provocando novos lockdoewns na Europa me produziram ontem um baque. Acordei num mal-estar, uma opressão no peito – tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Tive tantas decepções nos últimos anos – paciência. O importante é que a vida veio, de novo. Me pego cantando, e tantas águas rolaram. Cheguei até a pensar em tirar um ano sabático. Morar um tempo em Portugal, na França, mas de que jeito? Enquanto não houver vacina o negócio é tomar um, para-te quieto. Mas de volta ao mal-estar, acho que são mensagens que o inconsciente me envia. Estava zapeando ontem à noite e vi no Domingo Espetacular da Record uma chamada para o tal caso de estupro culposo envolvedndo a influencer que nem sabia que existia. Fiquei pasmo com a pusilanimidade do juiz e do advogado de defesa do acusado. Estupro sem intenção, deve ser um conceito novo, e o tal advogado estava mais interesssado em dizer que a garota era uma perdida. Santas, produtos de boa criação, só as filhas dele. Lembrei-me de Acusados, o longa de Jonathan Kaplan, de 1988, que deu a Jodie Foster seu primeiro Oscar. Sua personasgem é estuprada num bar e a tese da defesa era que a vítima foi culpada. Seu comportamento provocativo mexeu com os brios dos caras e eles, tadinhos – três! -, a estupraram na cara de todos os demais frequentadores do bar, que nada fizeram para impedir o ato. Mais de 30 anos depois, a sensação era de estar vendo uma marcha a ré no tempo. Na ficção, a advogada quer fazer acordo, mas Jodie decide ir até o fim contra seus agressores. Brava Jodie, brava Mariana Ferrer. Só sei que continuei zapeando e cheguei ao Films and Arts, que iniciava o Munique, de Steven Spielberg. Há tempos não via o filme. Sempre escrevi que Spielberg fez, com a trilogia formada por O Terminal, Guerra dos Munfosd e Munique, a maior reflexão do cinema sobre o 11 de Setembro. Sem citar nenhuma vez o ataque às torres gêmeas, a trilogia aborda as consequências do ato e do fato na vida norte-americana. Munique é o fecho, a questão ética no terrorismo. A premier Golda Meir dizendo que não podemos ser como nossos inimigos, se queremos estar contra eles. Mathieu Kassovitz, quase chorando, e dizendo que ser judeu, para ele, é ser humanista, e não um contraterrista que não reconhece limites. De tudo o que Spielberg fez, e olhem que gosto muito de alguns de seus filmes, nada se compara, creio, a essa trilogia informal. Munique é o maior dos três. O filme ganhou indicações para o Oscar, no ano em que Hany Abu Assad concorreu no Oscar de melhor filme estrangeiro com Paradise Now. As duas faces da moeda. Não tenho o menor problema de dizer que chorei copiosamente (re)vendo Munique. Não chorava só pelo estado do munfo. Chorava por mim, por minhas ilusões perdidas e reencontradas. A angústia da manhã dissipou-se. Dormi feito anjo.

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