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Brian De Palma, 80

Luiz Carlos Merten

13 de setembro de 2020 | 22h55

Não acredito que tenha perdido a data – os 80 anos de Brian Russell De Palma, ou simplesmente Brian De Palma. Até fiz o post do 11 de Setembro, mas, para ser honesto, devo dizer que nunca me havia dado conta de que era a data de nascimento dele. O ano, 1940. O curioso é que o Telecine Cult esperou o domingo, 13, para comemorar. Carrie, a Estranha, a versão de 1976, com Sissy Spacek; o Scarface com Al Pacino; e Os Intocáveis, com Kevin Costner como Elliot Ness e a homenagem à escadaria de Odessa de O Encouraçado Potemkin, o clássico de Sergei M. Eisenstein, de 1925. Estava zapeando à tarde e entraram as cenas do massacre da serra elétrica, a versão de De Palma, quando tentam matar Al Pacino e ele é salvo por seu lugar tenente, Steven Bauer. Vi mais um pouco, e foi a cena do elevador, quando Pacino vê Michelle Pfeiffer pela primeira vez. Em 1983, ela ainda estava em princípio de carreira. Era deslumbrante. E pensar que já entrevistei essa gente toda, o De Palma no Rio, um dia de calor de 40 graus e ele todo de preto, com um casaco grosso. Dava de passar mal só de olhar. Continuei zapeando e, quando voltei ao Telecine Cult, o De Palma era outro. Os Intocáveis, a cena em que Robert De Niro, como Al Capone, mata o traidor de sua organização criminosa a golpes de porrete. De perto, como todos sabemos, ninguém é normal, mas De Palma, bebendo na fonte de Alfred Hitchcock, especialmente Janela Indiscreta e Psicose, deu um testemunho sobre o machismo, porque as mulheres são as vítimas preferenciais de seu cinema, incluindo a vietnamita estuprada pelos soldados norte-americanos em Pecados de Guerra. Com certeza haveria o que falar sobre os 80 anos de De Palma. Ele é mais novo que Francis Ford Coppola (81 anos), mais velho que Martin Scorsese (77 anos), George Lucas (76) e Steven Spielberg (73). Foram esses caras que forjaram a Nova Hollywood.