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Brasil em revista

Luiz Carlos Merten

04 de junho de 2016 | 12h04

Estou tentando descobrir que filme meu colega Luiz Zanin Oricchio viu para dar a cotação ótimo para Uma Noite em Sampa. Afinal, foi ele que deu apenas bom para o genial Cavalo de Turim, de Bela Tárr, que segue, impávido colosso, como meu melhor filme do ano. Gosto muito de Ugo Giorgetti como pessoa – jantamos juntos na casa de Margarida Oliveira, antes de eu ir para Cannes, e foi ótimo -, respeito-o como artista e admiro vários de seus filmes, mas esse, o que eu vi, pelo menos, não deu. O hui clos armado pelo cineasta – um grupo fica ‘preso’ na rua, ao sair de um teatro – busca uma remota referência no absurdo beckettiano e também em O Anjo Exterminador, de Luís Buñuel, que chega a ser citado no diálogo, mas a paralisia que atinge aqueles personagens não me convence. Não sou burro a ponto de não perceber que Giorgetti quer refletir o Brasil, mas a facilidade da cega como a única que ‘vê’ me cansa (estava esperando por aquilo na certeza de que 2 + 2 são 4) e os casais com os manequins (quem viu ou vir entenderá) me parecem outra facilidade. Para complicar, sorry, o elenco não é irregular – é fraco mesmo, e olhem que ali tem gente boa. Em compensação, revi Big Jato, de Cláudio Assis, na cabine de imprensa e, se já gostava do filme, gostei mais ainda. As feministas odeiam o porco chauvinista que Claudião, eventualmente, pode ser e temo que a repercussão do caso no Recife – o famoso debate com Anna Muylaert – derrube o Big Jato, mas, isso sim, é um filme ótimo, minha gente. Esse cara filma bem demais. Big Jato tem duas cenas de refeição, no começo e no fim. A família reunida, menos um no desfecho. Cláudio Assis filma muito bem, e sem se repetir. A ideia dos Betos como a banda que influenciou os Beatles é coisa de gênio. E o elenco… Matheus Nachtergaele, em dose dupla, e Marcélia Cartaxo, divina. Estou em lua de mel com ela. Marcélia me arrebatou com seu curta que vi no Recife, o Redemunho, e agora é esse assombro no filme de Cláudio Assis. Por falar no Recife, Alfredo Bertini, do Cine PE, é o novo secretário do Audiovisual. Jantei com Ademar Oliveira no outro dia e ele me perguntou o que achava – se o protesto da equipe de Aquarius no tapete vermelho de Cannes pode ter influenciado o júri de George Miller a não premiar o belo longa de Kleber Mendonça Filho. Me parece muita teoria da conspiração, mas, para permanecer no tema, e alguém entenderá o que digo, me pareceria muito mais viável que a represália fosse a nomeação do secretário no Brasil. Bertini ainda nem assumiu e sua indicação já provocou repúdio. O problema talvez nem seja ele, mas o que esse governo pretende fazer com a cultura. Lembrem-se que o primeiro movimento foi simplesmente extinguir o Ministério…

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