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Boy meets girl, e o segredo dos ‘meus’ olhos

Luiz Carlos Merten

18 Janeiro 2017 | 20h33

MAR DEL PLATA – Não sou do tipo que vem à praia para ir ao mar. Dib tem ido à pileta, à piscina do hotel e hoje eu o acompanhei na Praia Grande daqui – linda, mas muito fria e com um vento do cão. Fiquei lendo minha Agatha Christie no guarda-sol. Tenho ido ao cinema. Revi Aliados, o belo e romancesco drama de guerra de Robert Zemeckis, com Brad Pitt e Marion Cotillard. Ontem, fui rever Passageiros, de Morten Tyldum, com Chris Pratt e Jennifer Lawrence, e o curioso é que, se Marion dá um baile em ‘Brad’, ‘Chris’ consegue ser mais carismático que a oscarizada Jen e a cena de sexo dos dois é… Uau! Já falei um pouco sobre Aliados e a revisão fortaleceu certas ideias relativas à ambiguidade essencial na trama. Algumas cenas me pareceram ótimas, com diálogos que introduzem notas dissonantes mas, só por curiosidade, fui ler o que escreveram os críticos na Argentina. Um deles, o mais piedoso, disse que o filme não tem pé nem cabeça, o que eu discordo, mas não quero entrar em detalhes à espera de que Aliados entre no Brasil, o que só vai ocorrer em fevereiro. Não tem pé nem cabeça o que o cara escreveu… Como nunca me lembro do nome do diretor, fui pesquisar nas rede sobre ‘Passageiros’. Veio aquele thriller sobrenatural sobre acidente de avião com Anne Hathaway, do qual eu nem me lembrava – de tão ruim – e neca da ficção científica de Morten Tylden. É um diretor norueguês que adora subverter gêneros. Já o fez em Headhunters e O Jogo da Imitação, com Benedict Cumberbatch. Como disse, pesquisei para saber o nome do sujeito, mas encontrei uma crítica, na qual dei uma olhada. O coleguinha (brasileiro) afirma de cara que, para um filme de duas horas, Passageiros tem muita dificuldade para estabelecer a ‘psicologia’ de seus dois únicos personagens – há um terceiro, mas é um robô, e um quarto, e é um dos tripulantes da nave, que aparece fugazmente. Eu vi o filme de forma diferente – o segredo de meus olhos. Boys meets girl no espaço. A solidão do macho diante da bela adormecida que, de repente, resume todas as mulheres do universo. A comédia (ou drama) romântico adentra e subverte a ficção científica, bem interessante. E o Chris Pratt é f… A lágrima dele me tocou muito, da mesma forma que não me canso de ver o trailer de Guardiões da Galáxia e adoro a cara dele quando a alienígena sensitiva escancara o desejo de Quill por Gamora/Zoe Saldana. Aliás, esse trailer me deixa nos cascos. Baby Groot foge com a bomba e Rocky, o guaxinimn, diz que não vai dar boa coisa. Acho hilário. Entrevistei James Gunn e Vin Diesel na Comic-con e ambos me disseram que, se gostei do 1, vou gostar ainda mais do 2. Boto a maior fé de que seja verdade. Depois disso só me resta acrescentar que fiquei chocado quando Dib me contou que Zanin, em sua crítica sobre Axé – Canto do Povo de Um Lugar, no Estado, disse que o documentário de Chico Kertész não tem eixo. Um não vê psicologia, o outro não vê eixo… E eu que vejo tudo. É como digo. O cinema está nos olhos de quem vê. Se fulano não viu, não significa que não esteja lá.