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Bonitinha mas (não) ordinária

Luiz Carlos Merten

01 de maio de 2013 | 10h15

RECIFE – O título refere-se ao fato de que a adaptação da peça de Nelson Rodrigues por Moacir Goes resultou num filme nada ordinário e esta foi a boa notícia de ontem aqui no Cine PE. Acrescentei acho que só um postezinho na terça-feira, porque o dia foi meio agitado. Muitos filmes, debates e, para complicar, perdi o dispositivo com as senhas do banco, o que me me impedia de sacar nos caixas eletrônicos. Tive de ir a uma agência do Bradesco, abarrotada de gente, porque ontem, dia 30, muitos estavam recebendo o salário. Terminei perdendo uma hora e meia no banco, até ser atendido (mas vale dizer que a funcionária, prestimosa, me ajudou a resolver o problema). A competição do Recife termina hoje com o longa de Hermano Penna Aos Ventos Que Virão, com o ator de Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto – Rui Ricardo Diaz. Sempre lamentei que o o massacre, para mim injustificado, do filme tenha atingido o ator, porque o achei extraordinário no papel. Ainda bem que Hermano Penna o viu e assinalou, dando a Rui Ricardo o papel principal de seu novo nordestern – é o diretor de Sargento Getúlio -, que cobre cerca de 20 anos da história do País, desde a morte de Lampião até a inauguração de Brasília e, depois, a renúncia de Jango, que originou o episódio da Legalidade. Aliás, fazendo um intervalo, conversei ontem com o diretor gaúcho Beto Souza, que integra o júri e o coautor de Neto Perder Sua Alma, com Tabajara Ruas, me disse que pretende fazer um filme sobre o assunto. Contou-me o que pretende e achei ‘trilegal’. Mas, de volta ao Cine PE, Festival do Recife, o programa de ontem foi o Bonitinha mas Ordinária, de Moacir Goes. com produção de Diler Trindade. Havia visitado o set em 2008 (8!), já se vão quase cinco anos, e sempre me perguntava sobre a adaptação da peça de Nelson Rodrigues. Moacir e Diler perderam o centenário do grande dramarturgo, alguma urucubaca devia haver no filme. Nelson revisitado – na apresentação do filme, Moacir Goes ressaltou a atualidade do autor, a crise de valores que impregna sua obra, e disse que certos clássicos clamam por revisão, mas o que se pode fazer são ‘releituras’. Ele fez a dele, e é boa. Moacir fez o que nunca vi antes. Deslocou o eixo dramático e fez de Peixoto, sempre um estereótipo de canalha, um personagem trágico. Isso dá a seu filme outra dimensão e, mesmo que eu não tenha gostado muito do desfecho solar – mas é a construção da ética -, fiquei louco pelo ator que faz Peixoto. Leon Goes é irmão do diretor, não faz TV nem cinema, é casado com o teatro e um puta ator. Engole todo mundo em cena e olhem que Leandra Leal foi melhor atriz em Lisboa como Ritinha. Meu amigo Gabriel Villela deveria integrar o Leon ao ‘nosso’, como brinco, coletivo. O cara é fera, para não dizer f…

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