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BLM 2, e uma pequena digressão sobre Ray, arquitetura e o Brasil

Luiz Carlos Merten

07 de junho de 2020 | 12h29

Tenho negligenciado o blog, admito, mas é que tenho produzido bastante para o jornal – ainda bem! Nas horas ‘vagas’, viajo nos meus clássicos. Ontem passei o dia escrevendo e reescrevendo sobre o ‘meu’ Nicholas Ray, Johnny Guitar. Curiosamente, também era o de François Truffaut. Já contei que havia comprado, numa de minhas viagens aos EUA, um volume da Harvard University Press. Cahiers du Cinema, The 1950s. Neo-realism, Hollywood, New Wave. Muito estranho ler, tanto tempo depois – a edição é de 1985 – a tradução em inglês, de uma entrevista feita por Charles Bitsch em novembro de 1958. A influência da arquitetura, de Frank Lloyd Wright, na vida e na obra de Ray. Já devo ter tido – sou jornalista de cinema, respeito, claro, mas não tenho o menor interesse por estudos acadêmicos, mas se alguma fez fizesse um mestrado, ou doutorado, seria sobre o espaço na construçãso dramática dos filmes, um pouco para aproveitar a minha passagem pela Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Sem dar nomes, porque não interessam, tive um professor que me reprovou por um projeto de escola, que ele achou inviável e anos depois, quando fui a Israel, enconteri a ‘minha’ escola construída num kibbuitz, e era viável. Agradeço a esse professor, porque, se tivesse seguido na arquitetura, não teria me encontrado como jornalista. E o interessante é que terminei me formando, por procuração ou transferência, quando ajudei um amigo no seu projeto, mas essa é outra história, morta e enterrada. Jean-Luc Godard dizia que, se fosse possível juntar Nicholas Ray e Anthony Mann, teríamos o maior dos diretores de cinema. Para Godard, ninguém construía o personagem no plano interno como Ray, nem no externo como Mann. Meu possível interesse acadêmico seria pelos dois – o espaço interno, Frank LLoyd Wright, em Ray, o externo em Mann, Wright de novo, na medida em que os projetos do grande arquiteto muitas vezes abraçam a natureza (era o que fazia a minha escola) e os westerns de Mann, como O Preço de Um Homem, têm como palco montes, rios, corredeiras, rochedos. Divago. Por que um brasileiro faria um estudo semelhante? Seria chamado de alienado. Os gringos que o façam. Sobre a ‘América’. Tenho acompanhado os protestos nos EUA. BLM. Black lives matter. Por que não importam no Brasil? Por que esse País está tão emparedado na sua covardia, acuado por essa canalha que não é maioria, mas se manifesta tanto que intimida os demais? Temos dois casos clínicos dignos de estudo. O presidente, claro, e aquela mulher que, no ptotesto de domingo passado, na Paulista, enrolou-se nas bandeiras do Brasil e dos EUA e ainda carregava um taco. Treparia no pescoço de algum George Floyd brasileiro? Ó céus! Cá estou, com a trilha de West Side Story bombardeando meu ouvido. Somethin’s Coming, mas o quê? Assisti na sexta ao debate sobre racismo no Globo Repórter, e que era a repetição do encontro que havia ocorrido na GloboNews. CartaCapital bombardeia a Globo toda semana, no espírito do ‘meu passado me condena’, mas eu, pessoalmente, acho importante, necessário, o que a Globo vem fazendo. O Ministério da Saúde deixou de fornecer os números da Covid às 7 da noite para, abre aspas do presidente, não alimentar o Jornal Nacional e agora a emissora interrompe o que estiver passando às 21h57 para atualizar a estatística. Quero ver até onde irá essa quebra de braço? Vi ontem duas coisas à tarde de que gostei muito, mas o post já está imenso. Continuo no próximo.

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