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Berlinale (8)/O grotesco serial killer de Fatih Akin

Luiz Carlos Merten

10 de fevereiro de 2019 | 17h01

BERLIM – Em Paris, comprei diversos números de revistas francesas e nem tive tempo de contar que a redação de Cahiers du Cinéma escolheu A Casa Que Jack Construiu como um dos dez melhores do ano. Ficou em oitavo, à frente de Verão, de Kiril Serebrennikov, nono, e depois de Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson, terceiro, Em Chamas, de Lee Chang-dong, quarto e o Steven Spielberg, Ther Post – Guerra Secreta, sexto. Para os leitores da revista, Jack ficou ainda melhor situado, em terceiro, depois de Trama Fantasma, primeiro, e Em Chamas, segundo. Já tentei, em vários posts, expressar a perturbação que Jack me provocou, desde que vi o filme no ano passado, em Cannes. Por que falo isso? Fatih Akin participa da competição de Berlim com um filme baseado numa história real, de um famoso serial killer de Hamburgo, nos anos 1970. O filme chama-se The Golden Glove, A Luva Dourada (de Ouro?), nome de um cabaré no distrito da luz vermelha. Prostitutas velhas, beberrões e esse cara, feio como o Diabo, que atrai mulheres solitárias à sua casa. Ele as mata, desmembra os corpos e esconde os pedaços no sótão. O fedor insuportável o monstro credita aos gregos que moram no andar de baixo. Num estilo (conceito?) totalmente distinto do de Lars, Fatih fez um filme desglamourizado, o que seria bom, mas também intencionalmente caricatural, grotesco, e aí as coisas se complicam (bastante). Só o que falta os coleguinhas do Brasil, tão reticentes a Jack, preferirem… A Luva está provocando certo frisson porque Fatih pegou um galã, um garoto bonito, Jonas Dassler e o tornou irreconhecível, deformando seu rosto com próteses no nariz e nos dentes para que ele ficasse repulsivo. Decididamente, não gostei, e o mesmo posso dizer de The Operative, thriller de espionagem de Yuval Adler com Diane Kruger, que venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes, no ano passado, por Uma Mulher não Chora, de quem? Fatih Akin Como thriller é meio banal, narrando a intriga montada pelo serviço secreto israelense para comprometer o Irã em segredos industriais e militares. Diane é a agente fora de controle. No jogo da política, vira o elo fraco ao se apaixonar pelo homem errado – um iraniano! Embora medíocre, tem uma cena inesperada, quando Diane sofre abuso em circunstâncias que seria complicado explicar. A violência contra a mulher está na ordem do dia da Berlinale.