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Berlinale! (6)

Luiz Carlos Merten

07 de fevereiro de 2015 | 13h19

BERLIM – Não resisto a postar aqui sobre duas novidades que li na edição de hoje de Variety. A revista, que é uma espécie de Bíblia do showbizz, edita versões impressas em Cannes e Berlim. Uma das notícias dá conta de que um documentário de Patrice Leconte, de 2008, está fazendo sensação no mercado. Há sete anos, It’s Hard Being Loved by Jerks, É duro ser amado por idiotas, não provocou um décimo da procura que está tendo agora. Leconte documenta o jornal satírico Charlie Hebdo, inclusive dando conta de suas batalhas judiciais na França contra representantes do Islã, pelo direito de continuar publicando suas charges sobre o profeta Maomé. Mais do que o direito à liberdade de expressão, o documentário ilustra um conceito da redação de Charlie – a dessacralização da religião é um direito no Estado laico e só quando Deus (e Alá, e Cristo, e Maomé) forem representados sem fanatismo as pessoas poderão enxergar a diferença, e respeitá-la. É um partido que explica porque Charlie Hebdo se tornou um alvo, culminando na carnificina dos ataques de janeiro, em Paris. A outra notícia refere-se a Benoit Jacquot, o diretor de O Diário de Uma Camareira. Ele falou tanto sobre antissemitismo na coletiva que me parece oportuno relatar que vai daqui para Capri, para realizar seu primeiro filme não falado em francês (bem, já houve aquele de ópera, não?). Jacquot vai adaptar o romance de Alberto Moravia, 1934, sobre uma judia que, na romântica ilha de Capri, se envolve com nazista. Não conheço o livro de Moravia e, portanto, não sei se o amante sacrifica a mulher por suas convicções. Se for assim, bem poderia ser considerado um desdobramento do romance de Celestine/Joseph, Léa Seydoux/Vincent Lindon, no Diário. O filme será falado em inglês, alemão e italiano.

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