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Berlinale (6)/Marcelo Gomes

Luiz Carlos Merten

09 Fevereiro 2019 | 05h12

BERLIM – Marcelo Gomes mostra hoje no Panorama seu novo longa, Estou Me Guardando pra Quando o Carnaval Chegar. Enviei-lhe as mesmas três perguntas que Helvécio Marins e outros autores responderam. Marcelo fez o talvez maior filme da Retomada – Cinema, Aspirinas e Urubus. Assinou o belíssimo Joaquim, que já esteve aqui em Berlim. Suas respostas, exceto a primeira. Seu filme é um documentário sobre os habitantes de uma pequena cidade que dão duro o ano inteiro nas indústria têxtil e economizam para festear no carnaval.

O que a importância de estar em Berlim?

Participar do Panorama no ano que ele completa 40 anos é uma alegria especial. É a segunda vez que participo dessa mostra tão importante e que , historicamente, sinaliza obras que se preocupam com novas explorações da linguagem cinematográfica.

Voltar para Berlim pela terceira vez é fantástico. Primeiramente porque Berlin é um festival que se debruça sobre os temas filosóficos e políticos do mundo contemporâneo. E poder inserir questões relativas a fraturas sócias do Brasil nessa olimpíada cultural é estimulante.

Segundo porque teremos uma visibilidade imensa e para nosso filme – com pouca verba de divulgação –, isso é fundamental. Berlin é maior festival aberto do mundo, com a presença crítica do público e assim poderemos ter um primeiro contato com uma camada diversa e sentir as primeiras reações ao filme.

Algum comentário sobre o momento atual do País.

Cedo ainda para dizer algo. Agora, se nota que existe um desgaste precoce evidente: várias ações foram reavaliadas e anuladas, voltaram atrás. O que se vê uma falta de preparo para governar um pais complexo como o nosso.

Algumas questões já ficaram claras. É um governo que não acredita em aquecimento global e implodiu os sistemas de controle ambiental(agora com o desastre de Brumadinho estão reavaliando posições como todas as ações que fizeram) e ainda vão acabar com a demarcação das reservas indígenas e tentar implantar um novo modelo de exploração agrícola na Amazônia o mais rápido possível.

Talvez seja hora de um grande acordo com toda a frente progressista em defesa da democracia.