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Berlinale (28)/E o prêmio da crítica foi para… Tanovic!

Luiz Carlos Merten

20 de fevereiro de 2016 | 11h12

BERLIM – Até o ano passado, a Fipresci tinha uma cerimônia própria e entregava seus prêmios na sexta-feira à tarde. Este ano, o prêmio da crítica integrou-se aos dos demais júris independentes, e foi entregue agora pela manhã. O próprio diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, abriu a cerimônia. Disse que o júri da noite, o oficial, era dependente – dele. Foi adiante na piada – Mas Meryl (a presidente Meryl Streep) “is a bit rebellious, you know.” Meryl é rebelde, vamos ver o que vai nos reservar o júri dela. Fuocoammare, de Gianfranco Rosi, foi multipremiado. Ganhou os prêmios do júri ecumênico, da Anistia internacional e do júri popular formado por leitores do jornal de maior tiragem de Berlim, o Berliner Morgenspost. O prêmio da Federação Alemã das Salas de Arte e Ensaio foi para 24 Weeks, 24 Semanas, de Anne Zohra Berrached. E o prêmio da crítica para… Danis Tanovic! Não sei se, nos meus posts anteriores e matérias para o jornal, deixei claro quanto gostei de Mort à Sarajevo, que Tanovic adaptou de uma peça de Bernard-Henri Levy, Hotel Europa. O filme concentra num único cenário, o hotel da peça, os problemas humanos e sociais quer permeiam um século de história da Europa, desde o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, que foi o estopim para a eclosão da 1ª Grande Guerra. Em apenas 85 min, e com extraordinária concentração do tempo, por meio de uma elaborada mise-en-scène que privilegia (sempre!) os planos sequências, Tanovic fez um filme fascinante. Por minha iniciativa, disse que ele tinha de voltar a São Paulo. Leon Cakoff orgulhava-se de que o filme de Tanovic que venceu o Oscar, Terra de Ninguém, foi gestado na Mostra. Tanovic me disse qwue já havia falado com Renata (Almeida, a Sra. Mostra) e ela já lhe dissera – “Estaremos esperando no fim do ano.” É um belíssimo filme. Tem um romance impossível, entre uma apresentadora de TV e um homem que porta o nome do assassino do arquiduque (Gavrilo Princip). A impossibilidade desse romance resume a tragédia da Europa contemporânea. Dieter Kosslick disse que viu ontem, de novo, na televisão, imagens chocantes do tratamento que a Europa dás aos imigrantes. É o novo genocídio. “Não aprendemos nada com o Holocausto?”, pergunta-se o intelectual de Morte em Sarajevo. Dieter disse esperar que a Berlinale continue dando seu testemunho para formar uma nova mentalidade, mais tolerante. E ele viajou – “Essas imagens devem ser as mesmas vivenciadas por meu pai e minha mãe após a 2ª Grande Guerra.” Tem sido um tema na Berlinale. Quanto aprendemos, ou por que nos recusamos a aprender com a História?