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Berlinale (27)/Daniel Burman e o judaísmo

Luiz Carlos Merten

19 de fevereiro de 2016 | 22h38

BERLIM – Havia perdido o filme de Daniel Burman aqui no Panorama. El Rey del Once passou nos primeiros dias. Consegui recuperá-lo hoje. Gostei bastante. Burman é o diretor de El Abrazo Partido, que venceu o Uso de Prata acho que em 2003 ou 4, e também de O Ninho Vazio, Dois Irmãos e As Leis de Família. É um dos cineastas argentinos de que mais gosto. Faz filmes ricos em observações humanas e sociais. E quando essas observações se referem à comunidade judaica – suas origens -, ele é melhor ainda. É o caso do Rei do Onze – o Once é um barrio de Buenos Aires. É para onde volta o protagonista e, durante uma semana, ele terá tempo e condições de se reconciliar com o pai e as tradições do judaísmo. Achei o filme muito bonito, muito bem interpretado e arrisco – olhaí pessoal -, que poderá ser uma grande atração no Festival de Cinema Judaico de São Paulo. Vi El Rey del Once no Zoo Palast, o primeiro palácio do festival. Comi rapidinho e corri para o Cinemaxx de Potsdamer Platz para ver…. À tarde, havia procurado filmes para ver no fim da noite. Não encontrei muita oferta e escolhi, pelo título, Nunca Vas a Estar Solo. Antes da sessão, o apresentador disse que não haveria debate porque a equipe já havia ido embora, mas anunciou que era um grande filme e havia acabado de ganhar o Teddy Award. O Teddy é o Urso gay e, ao chegar no hotel, fiz uma busca na rede. A premiação foi realmente hoje, mas não encontrei o resultado. Nunca Vas a Estar Solo, de qualquer maneira, tem cara de Urso queer, como o filme de Anna Muylaert, Mãe Só Há Uma, e o de André Téchiné, Quand on a 17 Ans, também têm (os dois). O filme do chileno Alex Anwandter é sobre pai e filho. Pai trabalhador, self made man, filho gay que frequenta a noite e Nunca Vas acrescenta às cenas de sexo do festival algumas bem hard. O garoto é vítima da homofobia e vai parar em coma no hospital. O pai surta porque soma à tragédia do filho a traição do sócio e o fato de o plano de saúde não cobrir os gastos. O filme é muito curto, cerca de 80 min, e não fiquei muito convencido com o desfecho. Estava imaginando que o pai ia pegar em armas, e lendo, depois, a sinopse, é isso que sugere, mas não exatamente o que ocorre. É interessante – um final anticlimático, em suspenso – mas estou sem saber quanto realmente gostei. Nem se venceu o Teddy Award. Já são quase 2 da manhã daqui. Vou dormir. Amanhã pela manhã teremos o prêmio da crítica (Fipresci) e, à noite, o Urso de Ouro. E, no domingo, bye! auf wiedersehen! Voo para…Paris!