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Berlinale! (24)

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2015 | 23h00

BERLIM –  Tom Courtenay faz parte do meu imaginário, menos como o Pasha/Strelnikov de Doutor Jivago, de David Lean, que como o fiel camareiro de Albert Finney no filme de Peter Yates que amo e me parece um clássico da relação teatro/cinema, revelando os bastidores de uma montagem de forma a fazer Alejandro González-Iñárritu recolher-se à insignificância do seu Birdman. Não fiquei muito contente com os prêmios de interpretação de Courtenay e Charlotte Rampling, e não por que não tenha gostado deles em 45 Anos, de Andrew Haigh, mas porque Courtenay, tudo bem, não tinha concorrentes, mas Charlotte, por melhor que seja, não consegue  superar a Alba Rohrwacher de Vergine Giurata. Estou tentando entender até agora como Darren Aronofsky, presidente do júri, e Claudia Llosa, jurada que já ganhou aqui em Berlim (com La Teta Assustada), rejeitaram o filme da italiana. Vergine Giurata é sobre um corpo em transe – homem/mulher, Mark/Hana convivem mal com seu corpo e tentam resolver o problema de identidade que vira o nó górdio de sua(s) vida(s). É o tema de Aronofsky em Cisne Negro e de Claudia em La Teta. Será que não entenderam os filmes que fizeram, ou foi a superioridade da Vergine, que é muito melhor, que terminou por constranger a ambos? Tergiverso, mas na verdade queria dizer que, na coletiva dos premiados, Courtenay e Charlotte ficaram brincando de brigar com seus Ursos. E eu, o tempo todo, com todo o entusiasmo que tenho pela atriz de Luchino Visconti e Liliana Cavani, fiquei pensando que Charlotte era uma usurpadora e quem devia estar naquela mesa era Alba.