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Berlinale! (23)

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2015 | 18h46

BERLIM – E o Festival de Berlim, terminou há cerca de duas horas. Já mandei o resultado para o portal do Estado e para o impresso, a edição do jornal que vai sair amanhã. Jafar Panahi bisou o prêmio da crítica e virou o grande vitorioso da 65.ª Berlinale, com seu Táxi. O júri de Darren Aronofsky não foi nem de longe ruim como o do ano passado – com quatro filmes chineses para escolher, o produtor James Schamus conseguiu premiar o pior, um filme que o vento já levou -, mas confesso que não fiquei muito satisfeito. Muitos bons filmes, mas não, para mim, as escolhas mais acertadas. Com a justificativa de que a seleção estava muito boa, o que é exagerado, Aronofsky e seus jurados concederam vários prêmios ex-aequo. Dividiram a direção – entre o romeno Aferim!, de Radu Jude, e o polonês Body, de Malgorzata Szumowska. Dividiram também o prêmio de contribuição artística entre os fotógrafos de Victoria, do alemão Sebastian Schippe, cuja proeza é ser narrado num plano único, e do russo Under Electric Cloud, de Alexei German Jr. Tom Courtenay e Charlotte Rampling ficaram com os prêmios de interpretação, ator e atriz, por 45 Anos, de Andrew Haigh. Ele não tinha concorrentes; ela atropelou a italiana Alba Rohrwacher. Tom e Charlotte fizeram os discursos de agradecimento mais engraçados da noite – ele disse que demorou para igualar seu amigo Albert Finney, que ganhou no passado; ela lembrou que seu pai venceu uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Berlim, em 1936 e que, sendo competitiva, sempre quis igualá-lo. Acrescentou que o Urso de Prata pode ser um equivalente para o ouro do pai. O júri premiou dois chilenos – deu o prêmio de roteiro para El Botón de Nácar, de Patricio Guzmán, que foi o melhor filme de todo o festival, e o seu prêmio (do júri), para El Club, de Pablo Larraín. Digamos que poderia/deveria ter sido o contrário. O júri errou feio esquecendo Laura Bispuri, do filme com a Rohrwacher, Vergine Giurata. Sua escolha mais acertada foi o Prêmio Alfred Bauer, que destaca uma obra que abre caminhos para a arte do cinema. Mesmo assim, teria gostado mais se Ixcanul, do guatemalteco Jayme Bustamante, tivesse levado o Urso principal.

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