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Berlinale (22)/Na tela, a Europa está morrendo

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2016 | 14h56

BERLIM – Por mais que goste do filme do italiano Gianfranco Rosi, Fuocoammare, fiquei com a impressão de ter assistido hoje ao vencedor do Urso de Ouro. Até espero que Alba Rohrwacher seja tão persuasiva como jurada como é grande atriz, convencendo seus colegas a votar em Fuocoammare, mas os júris, salvo exceções, preferem ficções e a de Thomas Vinterberg é muito forte. A última coisa que havia visto dele foi a adaptação de Thomas Hardy – Longe Desse Insensato Mundo, com, Carey Mulligan. Até pensei, por um momento, pelo título – The Commune -, que seu novo filme também pudesse ser de época (e a Comuna de Paris), mas está mais para o espírito de Festa de Família, sem o Dogma – e embora sejas uma produção da dimarquesa Zentrope, de Lars Von Trie. A cena é contemporânea, um homem herda o casarão do pai mas a mulher o convence a chamar amigos e formar uma comunidade ‘alternativa’. No começo tudo parece ótimo, mas logo chegam as tensões. O fim da utopia, da era de Aquarius. A Europa está acabando – Vinterberg pensa como Danis Tanovic no seu Morte em Sarajevo. Um marido arranja uma amante jovem, que leva para morar com o grupo. A mulher implode, enlouquece. A filha incita a mãe a partir. E há um garotinho, uma graça, que tem sopro no coração e vive dizendo que vai morrer aos 9 anos. Ele se apaixona por uma garota de 14, mas ela tem a própria vida, a própria agenda. O filme de Vinterberg é sobre a fragilidade e o egoísmo do amor, que só é eterno enquanto dura e qualquer um, embriagado pelo sentimento, não liga a mínima para o sofrimento que pode estar provocando nos outros. Da escrita à realização, The Commune é forte, muito bem interpretado. Potencialmente, o candidato perfeito para o Urso. E os atores dinamarqueses…. Meu Deus! O desnudamento emocional é completo. Em mais de um momento tive vontade de aplaudir em cena aberta.