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Berlinale (21)/Ainda os documentários aqui em Berlim

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2016 | 14h31

BERLIM – Mandei um recado ontem para Amir Labaki e não sabia que o primeiro filme da manhã de hoje também seria um documentário. Zero Days, de Alex Gibney, é sobre o assustador mundo novo em que se converteu a Terra. Remember George Orwell, 1984.o filme é sobre o Stuxnet, um virus que os governos dos EUA e Israel criaram para espionar as atividades ‘nucleares’ do Irã, mas o tal virus escapou ao controle, tornou-se autorreplicante e hoje pode intervir em atividades de outros países (além da vida de seus cidadãos). E tudo começou com um programa chamado Olympic Games. Jísus! Como éramos idiotas. Toda uma canalha assumiu o poder com um mantra de democracia, resistência contra o Gulag e o império soviético. Razão tinha o Paulo Francis, quando dizia que o Gulag podia ser uma m… para os soviéticos, mas era nossa salvação. Sem a URSS para fazer frente ao poderio norte-americano, os falcões, que continuam existindo, sentem-se livres para usar a rede, criando programas como esse. Taí outro filme para o É Tudo Verdade, embora, para permanecer no tema (e dizer a verdade), a história é maior que o filme. Na sequência, vi um belo documentário sobre o diretor alemão Rudolf Thome, que hoje vive na granja que equipou com o que ganhava nos filmes. Ambas, a granja e a carreira, desenvolveram-se juntas, mas hoje o ‘velho’ Thome não consegue financiamento para os muitos roteiros que segue escrevendo. A filha, que estuda cinema em Nova York, o estimula a recorrer a um crowdfunding. E Thome alimenta um blog, sua atual porta de comunicação com o mundo. É outro programa que o Amir poderia levar para o seu festival de documentários. O nome de Thome pode não significar muito para as novas gerações, mas o público da minha idade deve se lembrar de filmes como O Filósofo, sobre um intelectual que vai comprar roupas numa loja gerenciada por três mulheres, interessa-se por uma e ela o convence a mergulhar numa ligação a quatro. O Filósofo é do fim dos anos 1980. Lembro-me dee haver escrito sobre ele já no Estadão. É incrível como, além dos filmes e entrevistas – hoje, encontrei-me com Danis Tanovic, de Mortr em Sarajevo -, o festival ainda me proporciona esses momentos de introspecção, de viagem interior.