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Berlinale! (21)

Luiz Carlos Merten

14 de fevereiro de 2015 | 06h44

BERLIM – E a premiação do Teddy Bear, o Urso de Ouro queer da Berlinale, ocorreu ontem à noite numa cerimônia à qual gostaria de ter ido, com direito a show de Ingrid Caven e homenagens a Rainer Werner Fassbinder e Udo Kier. Mas vacilei e perdi a data para pedir o convite de imprensa. Terminei indo ver o Richard Brooks e não me arrependo, mas de qualquer maneira gostaria de ter estado lá para conhecer esse misterioso Sebastián Silva. Who’s this fucking guy? Nascido no Chile, onde estudou cinema e, depois, formado em animação no Canadá, Silva virou queridinho no Sundance Festival, em que venceu com The Maid e foi muito bem acolhido com Crystal Fairy. Silva levou ontem o Teddy Bear com Nasty Baby, que está aqui na Berlinale sob a bandeira dos EUA. Ele próprio interpreta o protagonista, Freddy, que sonha ter um filho com o companheiro, para isso cooptando uma amiga de ambos para ser a mãe de aluguel. O grupo leva uma existência frívola, que o diretor satiriza com crueldade. Entra um vizinho que desestabiliza as coisas e até a instalação que Freddy prepara – é artista visual – começa a dar errado, o que o leva a confrontar a realidade de sua vida miserável, feita de aparência. O júri justificou sua escolha dizendo que Silva aborda uma urgente questão de moralidade, confrontando a arte, e o artista, com temas que ultrapassam a comunidade LGBT e englobam classe, raça e gênero, de forma a implicar toda a sociedade. Achava que o Brasil poderia ter chance, com todos aqueles filmes com o pé na homossexualidade – Beira-Mar, Ausência, Sangue Azul -, mas o júri encontrou mais relevância no chileno/americano.