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Berlinale (20)/Esse Verhoeven: a comédia de erros da premiação

Luiz Carlos Merten

18 de fevereiro de 2017 | 21h23

BERLIM – Por um lado, deveria estar contente, pois gostei tanto de On Body and Soul, logo no segundo dia do 67.º festival, que não sosseguei enquanto não entrevistei a húngara Ildikó Enyedi, e ainda foi one a one. Devo ter sido o único brasileiro a fazê-lo. Richard Lormand é o mais f… dos assessores internacionais. Pega uns filmes que parecem marca-diabo, e sempre ganha. Não imaginava que Ildikó fosse fazer barba, cabelo e bigode nessa Berlinale, vencendo os prêmios do júri oficiasl, do júri da crítica e do público, além do prêmio ecumênico. Esse Verhoeven, de qwuem eu gosto tanto, revelou-se um m…, mas, enfim, foi o que disseram de mim em Brasília, embora eu não fosse presidente, e aí o resultado teria sido outro. Esperava que Verhoerven, fiel ao Quarto Homem e a Elle, fosse muito mais transgressor. Se tivesse sido, o romeno Calin Peter Netzerr, de Anas, Mon Amour, e o chileno Sebastiásn Lelio, de Una Mujer Fantástica, teriam sido privilegiados. Porque a premiação, em si, não foi ruim. Tirando o Joaquim, para quem eu teria dado o prêrmio de melhor ator, os demais filmes premiados foram todos OK, mas nos lugares, ou com os prêmios, errados. Os próprios premiados não ficaram contentes – alguns, pelo menos. Dana Bunescu, a primeira premiada da noite – melhor contribuição artísticas, pela montagem de Ana – praticamente teve de ser empurrada para o palco. Ela fazia não, não e não, antecipando que seria o único prêmio do filme, o melhor dessa edição. Aki Kaurismaki, melhor diretor por O Outro Lado da Esperança, estava bêbado e foi ainda mais longe. Não subiu ao palco, forçando Dieter Kosslick e a mestre de cerimônias a baixarem à plateia para lhe entregar o Urso de Prata de direção, que tetou botar no bolso do paletó, uma cena hilária. Gostei de Bright Nights, de Thomas ASrslan, mas o prêmio de ator paras Georg Friedrich cairia melhor no Júlio Machado der Joaquim – acho. Tem gente que odiou o Hong Sang-soo – Rodrigo Fonseca. Eu o achei o mais autoral, o mais nouvelle vague dos filmes da competição. Amei. E a atriz Kim Minhee, de A Criada, não é desse mundo. O pior prêmio, psaras mim, talvez tenha sido o Alfred Bauer para Agnieszka Holland, de Pokot/Spoor. Um filme que abre novas perspectivas? Verhoeven e seu ‘team’ deviam estar zoando com a gente. Enfim, acabou mais uma Berlinale. Achava que o júri de Jsmes Schamus havia sido o pior dos últimos tempos, mas depois ele fez aqueleb filme maravilhoso, Indignação. Estou reconsiderando. Ah, Verhoeven…