As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Berlinale! (20)

Luiz Carlos Merten

13 de fevereiro de 2015 | 23h11

BERLIM – Já falei do meu prazer em assistir, na retrospectiva Glorious Technicolor, a filmes de aventuras que fazem parte do meu imaginário, como Os Três Mosqueteiros, a versão com Gene Kelly, e Scaramouche, ambos de George Sidney, um dos grandes da comédia musical e que filmava duelos/cenas de ação como se fossem coreografias sem canto nem dança. Para hoje, Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, sabendo do meu amor por John Ford, pediu-me um texto sobre Rastros de Ódio/The Searchers, o clássico restaurado deste final de semana (e da próxima quarta-feira, de cinzas), na rede Cinemark. Viajei nas lembranças. Não me lembro mais do ano, mas devia ser no começo dos anos 1960. Numa semana de carnaval, num cinema que nem existe mais – o Presidente, em Porto Alegre, onde Maurício (Sirotsky) Sobrinho apresentava seu programa de auditório aos domingos -, houve algum festival de reprises, porque assisti, colados, a dois filmes faróis. Exodus, de Otto Preminger, e justamente Rastros de Ódio, a tragédia do individualista Ethan Edwards/John Wayne, que busca, para matar, a sobrinha sequestrada pelos índios. Escrever sobre o maior western de John Ford reavivou meu entusiasmo pelo gênero e simplesmente não resisti quando descobri que, no meio-dia de hoje (sexta-feira, horário daqui), o glorioso Technicolor me permitiria rever, numa cópia digitalizada (e restaurada), um dos maiores faroestes de outro grande, Anthony Mann. O Preço de Um Homem/The Naked Spur! James Stewart caça Robert Ryan, que tem a cabeça a prêmio, e espera reconstruir a vida com o dinheiro da recompensa, depois que a noiva vendeu suas terras e fugiu com outro, enquanto ele estava na guerra (a Civil). Ryan carrega junto uma garota, Janet Leigh, que vai re-humanizar o brutal Stewart, devolvendo-lhe a ternura perdida. Puta filme! E, agora à noite, não em cores, mas em suntuoso preto e branco – cortesia de Conrad Hall -, revi, em Berlinale Clasics, a nova versão 4 K de À Sangue Frio, que Richard Brooks adaptou do romance de não ficção de Truman Capote. Tento não ser nostálgico, mas não dá. Sidney, Ford, Brooks. Não vou dizer, como Peter Bogdanovich, que todos os bons filmes já foram feitos, nem como Norma Desmond que o cinema ficou menor. mas entendo essas frases de efeito e, às vezes, tendo a concordar que não são infundadas.

Tendências: