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Berlinale! (18)

Luiz Carlos Merten

13 de fevereiro de 2015 | 22h22

BERLIM – Confesso que não fiquei muito satisfeito com o prêmio da crítica, que o júri da Fipresci, Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, atribuiu a Táxi, e não porque não tenha gostado do novo Jafar Panahi. Gostei, o filme é bom, é principalmente humorado, o que não deixa de ser uma novidade em termos de cinema iraniano, e do próprio Panahi. O problema é que, tradicionalmente, a crítica arrisca e escolhe filmes que apontam caminhos. Nesse sentido, achei uma escolha ‘fácil’. Um diretor com problemas em seu país de origem e que só consegue filmar em condições extremamente adversas, tudo isso e mais o fato de Panahi ser ator e diretor, conduzindo pelas ruas de Teerã esse táxi pelo qual parece trafegar a sociedade iraniana. querem mais? É um filme nas bordas, encenado, com certeza, mas quanto com atores, talvez com não profissionais. Impossível dizer não a um filmes desses, mas me parece uma decisão consensual. O júri teria ousado mais escolhendo o documentário de Patricio Guzmán, El Botón de Nácar, ou a ficção da italiana Laura Bispuri,  Vergine Giurata, mas tenho a impressão de que deve ter havido um impasse. Entre esses filmes e talvez 45 Anos, de Andrew Haigh, muito bem feito e interpretado, mas de uma riqueza mais ‘comedida’ (tradicional não é bem a palavra), Panahi pode ter surgido como uma solução de compromisso por ser, no limite, ‘defensável’. Não duvido que o júri vá premiar Táxi, e seria de qualquer maneira um Urso de Ouro político, outorgado por um cineasta americano, seu presidente, Darren Aronofsky. Não quero ficar conjeturando, só deixar claro que esperava ser surpreendido, e não fui. Ou se fui, não foi no sentido que esperava.

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