As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Berlinale (17)/Mlle. Binoche é uma graça, mas como presidente de júri…

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2019 | 14h43

BERLIM – Não dei mais conta desse festival desde que reportei a vitória de Synonymes, do israelense Navad Lapid, no prêmio da crítica. Não havia apoiado a escolha de Orlando Margarido, que integrou, via Abracine, o júri da Fipresci. Mal sabia eu que o prêmio sera referendado pelo júri de Mlle. Binoche. Synonymes tem a cara desse festival. O filme é melhor em partes que no todo, como a Berlinale, que foi irregular e teve filmes bons coimo exceções numa seleção medíocre. Synonymes tem um ator visceral, Tom Mercier, com uma disdponibilidade muito grande para ficar nu diante da câmera. E o ex-soldado israelense expatriado em Paris, que quer se distanciar de suas origerns – o militarismo de Israel na Cisjordânia -, é obcecado pela língua francesa, que sonha dominar, daí o título. Quem me acompanhou no blog, sabe que meus favoritos eram Ondog, do mongol chinês Wang Quanan, e God Exists, Her Nome Is Petrunya, da cineasta da Macedônia, Teona Strugar Mitevska. Ambos foram ignorados pelo júri. Juliette já me havia dito na entrevista ao Estasdo que não se via premiando um filme para seguir a agenda feminista – o tal ‘empoderamento’, que Luiz Zanin e a pauteira do C2, Eliana Souza, odeiam, a palavra, bem entendido. Foi um júri estapafúrdio. Até quando votou no filme certo, adotou a categoria errada. Gostei do filme chinês de Wang Xaoashuai, So Long., My Son, mas não engoli o duplo prêmio de interpretação. O prêmio especial para Grâce à Dieu, de François Ozon, recompensou um belo filme que poderia trafegar por muitas categorias. OK, o prêmio especial é a reserva do júri para um filme importante, que poderia ganhar, mas não fiquei muito contente. Enfim, mais uma Berlinale – menos uma Berlinale, como diria Mário Peixoto. A verdade é que já faço plasnos para voltar no ano que vem, se ainda erstiver por aqui. Santiago a MIl e, depois, Berlim, que, em 2020, vai bater com o carnaval no Brasil. Será o 70.º festival, com nova curadoria. Faz todo sentido querer voltar.

Tendências: