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Berlinale (16)/O prêmio da crítica para Synonymes

Luiz Carlos Merten

15 de fevereiro de 2019 | 20h00

BERLIM – Wagner Moura e eu fizemos as pazes, ele até fez questão de uma foto, os dois abraçados, que espero que a Vanessa, assessora, me envie. Sei da pressão a que esse cara está submetido, fazendo um filme sobre Carlos Marighella, o inimigo número 1 da ditadura militar, que, por sinal, não é mais ditadura, mas ‘movimento’, segundo o entendimento do ministro do TSF, Dias Toffoli – é de cortar ops pulsos, eu sei. Que País é esse? De Gaulle dizia que não é sério (o Brasil). Não serei eu a contestá-lo. Foi tão difícil chegar a esse abraço que espero que a matéria que sai amanhã no Estado sobre Marighella não nos distancie de novo. Wagner pediu – exigiu – que a entrevista fosse gravada. Para mim, não tem problema. Redigi o texto de memória, como sempre faço. Se ele achar que foi ‘traído’, terá a prova. Está certo – em termos. A entrevista que sai amanhã no C2 é uma soma da one a one, da round table e da coletiva. Tudo isso será passado quando o filme – ainda sem data – estrear no Brasil. Gostei tanto de Marighella que tudo o que não quero ser é o inimigo na trincheira. Já zoei com meu amigo Orlando Margarido, que, através da Abracine, integrou o júri da Fipresci. Orlando estava no júri que escolheu o melhor filme da Wettbewerb, competição. Por mais interessante – forte – que seja Synonymes, de Navad Lapid, de Israel, não creio que seja, tenha sido, o melhor. O filme tem muito de autobiográfico. Conta a história de um garoto israelense que chega à França disposto a se desvencilhar de suas origens. Conversei com o diretor após a premiação e disse que ia tentar ‘vender’ o filme dele para amigos distribuidores do Brasil (Imovision? Pandora? Califórnia?). Não ganho nada com isso, exceto o prazer de, como cinéfilo, ver o filme chegar aos cinemas brasileiros. Independentemente de lançamento comercial, ele poderá estar no Festival do Rio, na Mostra, no Festival Judaico. Nem sabemos se esses eventos ocorrerão, porque, afinal, para esse governo de trogloditas, a cultura, por não estar alinhada com ‘eles’, é tudo o que querem destruir. Não custa nada acrescentar que Navad está louco para ir ao Brasil. Alô-alô? Mas, afinal, o que zoei com Orlando? De cara tem um gros plan de um pênis circuncidado. Very impressive, mas nada que se compare ao Júlio Machado de Divino Amor. Meninos e meninas, podem relaxar. Num festival pródigo em nus frontais, o Bear pênis, se existisse, seria nosso – dele.