As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Berlinale! (15)

Luiz Carlos Merten

12 de fevereiro de 2015 | 09h38

BERLIM – E a 65.ª Berlinale vai se encaminhando para o fim. Amanhã teremos os últimos filmes das competição e, no fim da tarde, a Fipresci, Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica, vai anunciar os vencedores do prêmio da crítica deste ano. No ano passado, deu Brasil no Panorama – Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro. Este ano teremos Brasil de novo? Em caso de ausência, a começar pelo filme de Chico Teixeira, não será por falta de bons filmes. Consegui tirar ingresso para ver amanhã Brasil S/A, de Marcelo Pedroso, que já teve sua sessão de imprensa e a oficial, e perdi ambas. Não fui a Brasília e, em Tiradentes, o filme passou num horário impossível para mim. Dessa vez, o vejo. Amigos chegados me falaram maravilhas. Preciso conferir. Toda noite, quando chego no hotel, depois de ver filme e jantar, fico postando e termino entrando pela madrugada – estou três horas à frente. Aproveito e deixo a TV ligada. Falo razoavelmente – para um autodidata – várias línguas, mas não o alemão. Mesmo assim, me surpreende a quantidade de programas diários que retraçam, exaustivamente, a história do nazismo, esse pecado pelo qual os alemãos amargam mea-culpa. Outro dia passava um que, pelo que entendi, mostrava como Adolf, aquele delinquente que criou o mito do super-homem germânico, tinha níveis tão baixos de testosterona que vivia fazendo reposição hormonal. E tomava montes de pílulas. Como consegui entender a palavra ‘Viagra’, deduzo que eram estimulantes sexuais. A vida secreta dos mitos… Pena que tudo isso só tenha sido divulgado depois. A verdade é que até a Berlinale escava no passado. Vi agora pela manhã, fora de competição, Elser, de Oliver Hirschbiegel, o diretor de A Queda. Ele conta a história de Georg Elser, que em 1939 planejou e executou um atentado contra Hitler. Por apenas 13 minutos,. ele talvez tivesse mudando o curso da história, evitando a 2.ª Guerra. O filme, por isso mesmo, tem o título internacional de Thirteen Minutes. E se Hitler tivesse morrido? Por esse lapso incrivelmente curto de tempo – o führer antecipou um discurso para atender a outro compromisso oficial -, ele fracassou. Teria dinamitado o ‘bastard’. O filme conta a história desse homem e de como ele executou seu plano. Mostra como resistiu a brutais sessões de tortura com que a cúpula nazistas, e o próprio Hitler, esperavam quebrá-lo para que entregasse os nomes de colaboradores, de forma a que o regime promovesse um banho de sangue. Esler insistiu até o fim que agiu sozinho. Foi preso em Dachau por mais de cinco anos. Em 1945, faltando poucos dias para a liberação do campo de extermínio, foi executado. Havia uma ordem firmada para que, em caso de ataque ao campo, ele não fosse poupado. Hitler matou antes aqueles de quem queria se vingar. Achei o filme bem bom. O retrato de um músico individualista e mulherengo que fez suas escolhas – uma mulher, um atentado. Gosto dessas histórias. Elser demorou mais de 60 anos para ser reabilitado e reconhecido como ‘resistente’. Era, para todos os efeitos, um traidor da pátria. Se o filme estivesse em concurso, Christian Friedel, que faz o papel, poderia muito bem ser melhor ator.

Tendências: